Idosos que continuam ativos nas tarefas do dia a dia podem proteger 1 dos 5 sentidos do corpo humano, revela pesquisa
Manter uma boa capacidade para realizar atividades físicas do cotidiano pode estar associado a uma melhor audição durante o envelhecimento. É o que aponta…

Manter uma boa capacidade para realizar atividades físicas do cotidiano pode estar associado a uma melhor audição durante o envelhecimento. É o que aponta um estudo publicado na revista Scientific Reports, que analisou a relação entre função física, pressão arterial, audição e cognição em 150 adultos com idades entre 50 e 80 anos.
Os pesquisadores identificaram que os participantes com melhor desempenho físico apresentavam, em geral, melhores resultados auditivos. O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Departamento de Ciências da Comunicação e Distúrbios da University of South Carolina, nos Estados Unidos, liderados por Jean Neils-Strunjas.
O resultado chama atenção porque a equipe inicialmente investigava se a pressão arterial poderia ser um fator comum relacionado às alterações físicas, cognitivas e sensoriais associadas ao envelhecimento. Porém, os dados apontaram que a função física tinha uma relação mais significativa com a audição do que a pressão arterial sistólica.
Melhor função física esteve associada a uma audição melhor
Para realizar a análise, os cientistas utilizaram informações do Aging Brain Cohort, projeto ligado ao Aphasia Lab da University of South Carolina. Os participantes já haviam passado por avaliações físicas, cognitivas e auditivas, além de fornecerem informações sobre atividades realizadas no cotidiano, pressão arterial e outros aspectos relacionados à saúde.
A análise mostrou uma associação entre a função física e a capacidade auditiva. Segundo os resultados publicados na Scientific Reports, a cada aumento de 10 pontos na medida de função física, houve uma redução estimada de 1,35 decibéis no limiar auditivo. Quanto menor esse limiar, melhor é a sensibilidade auditiva.
A idade, por outro lado, apresentou relação com o aumento da pressão arterial e do limiar auditivo. A cada dez anos a mais de idade, o estudo estimou um aumento de 8,78 decibéis no limiar auditivo. Os pesquisadores também observaram que a pressão arterial sistólica não mediou a relação entre função física e audição.
Pressão arterial não explicou a relação com a audição
A hipótese inicial dos pesquisadores era de que a saúde cardiovascular poderia ajudar a explicar diferentes perdas relacionadas ao envelhecimento. A pressão arterial sistólica, por exemplo, tende a aumentar com a idade e poderia estar relacionada às alterações observadas na audição e na cognição.
No entanto, entre os participantes analisados, uma pressão arterial sistólica mais elevada não esteve associada a uma perda auditiva mais avançada. O desempenho físico apresentou uma relação mais consistente com os resultados auditivos observados no grupo.
Isso não significa que controlar a pressão arterial deixou de ser importante. Os próprios pesquisadores recomendam que pessoas com hipertensão mantenham acompanhamento médico. O achado indica apenas que, nesse grupo, a pressão arterial não pareceu explicar a associação observada entre função física e audição.
Atividades do cotidiano podem fazer parte de um envelhecimento saudável
A pesquisa considerou a função física a partir da capacidade dos participantes de realizar atividades e movimentos do cotidiano. Dessa forma, o resultado não está necessariamente relacionado apenas à prática de exercícios estruturados, como musculação, corrida ou aulas esportivas.
Manter a mobilidade e a independência para realizar tarefas diárias pode ser um indicador importante da condição física de uma pessoa. Os resultados sugerem que essa capacidade também está relacionada à preservação de uma melhor função auditiva entre adultos mais velhos.
O estudo, porém, não permite afirmar que ser fisicamente ativo por si só impede a perda de audição. Os pesquisadores encontraram uma associação entre as duas condições, mas são necessários outros estudos para entender os mecanismos envolvidos e verificar se o aumento da atividade física pode efetivamente prevenir ou reduzir a perda auditiva ao longo do tempo.
Perda auditiva é comum durante o envelhecimento
A perda de audição é uma alteração frequente conforme a idade avança e pode afetar a comunicação, a autonomia e a qualidade de vida. Em muitos casos, aparelhos auditivos são utilizados para melhorar a capacidade de ouvir e facilitar a comunicação.
A nova pesquisa acrescenta a função física à discussão sobre fatores que podem estar relacionados à saúde auditiva na velhice. Os autores avaliam que estratégias voltadas à manutenção da atividade física podem ter potencial para contribuir com a saúde auditiva e cognitiva, embora a relação ainda precise ser investigada em estudos maiores e com diferentes grupos populacionais.
Um detalhe importante é que a amostra do estudo foi relativamente pequena e formada por adultos da comunidade, com predominância de mulheres com maior nível de escolaridade. Por isso, os resultados não devem ser tratados como uma conclusão definitiva para toda a população idosa.
Ainda assim, os pesquisadores consideram que os dados reforçam a importância de olhar para a função física como parte do envelhecimento saudável. Manter-se ativo pode ter benefícios que vão além da força e da mobilidade, e a relação com a audição aparece como uma das possibilidades que merecem novas investigações.







