Poeira tóxica deixada pela queda das Torres Gêmeas ainda faz vítimas 25 anos depois, e casos de câncer relacionados ao atentado disparam mais de 900%

O dia 11 de setembro de 2001 ficou marcado na história por um atentado às Torres Gêmeas e que matou quase 3 mil pessoas nos Estados Unidos. Mas, além disso, o episódio seguiu fazendo mais vítimas ao longo dos últimos 25 anos. Isso porque a poeira tóxica inalada por quem estava no local, como socorristas e sobreviventes, gerou diversas doenças, como o câncer, que teve uma elevação de mais de 900% no número de casos.
Os dados mais recentes do World Trade Center Health Program, programa criado pelo governo dos Estados Unidos para acompanhar pessoas afetadas pelos ataques, mostram a dimensão desse problema. Até junho de 2026, 57.044 participantes haviam recebido diagnóstico de câncer, e o número de casos registrados cresceu 912% na última década.
O resultado ajuda a explicar por que os efeitos do 11 de Setembro não ficaram restritos ao dia do atentado. A exposição aconteceu principalmente durante o colapso das estruturas, no trabalho de resgate e limpeza e nos meses posteriores, quando ainda havia partículas e outros contaminantes no ambiente.
O que havia na poeira das Torres Gêmeas
Quando as estruturas do World Trade Center desabaram, milhares de toneladas de materiais foram destruídas e lançadas ao ar. O problema não estava apenas na quantidade de poeira, mas também na composição daquilo que foi liberado.
O material presente nos edifícios, como componentes de construção, metais e outros produtos, acabou sendo transformado em partículas, fumaça, vapores e resíduos. Os incêndios que continuaram após os ataques também contribuíram para manter contaminantes no ambiente durante um período prolongado.
Para quem estava no local, isso criou diferentes formas de exposição. Bombeiros, policiais, profissionais de emergência, trabalhadores responsáveis pela retirada dos escombros e voluntários permaneceram durante horas ou até meses em áreas contaminadas.
Além deles, moradores, trabalhadores e estudantes que estavam na região do World Trade Center também poderiam ter entrado em contato com a poeira. O próprio programa de saúde considera como sobreviventes pessoas que estavam na área atingida ou que moravam, trabalhavam ou estudavam na região nos meses seguintes ao ataque.
Por que doenças aparecem tantos anos depois
Um dos pontos que mais chamam atenção nesse caso é o intervalo entre a exposição e o diagnóstico. O câncer não surge necessariamente imediatamente depois do contato com uma substância potencialmente nociva. A doença pode resultar de alterações acumuladas nas células ao longo de muitos anos. Por isso, existe um período chamado de latência, que corresponde ao intervalo entre a exposição e o aparecimento da enfermidade.
O próprio World Trade Center Health Program estabelece períodos mínimos de latência para que determinados tipos de câncer possam ser oficialmente certificados como relacionados à exposição de 11 de Setembro.
Isso ajuda a entender por que uma pessoa exposta em 2001 pode receber um diagnóstico décadas depois sem que isso seja considerado incompatível com a exposição original.
Dessa forma, o aumento observado atualmente não significa que a poeira esteja causando novos casos de forma imediata. Parte dos diagnósticos pode ser consequência de processos biológicos que levaram muitos anos para se desenvolver.
A exposição não causou apenas câncer
O impacto sobre a saúde também envolve outras doenças. O World Trade Center Health Program acompanha problemas respiratórios e digestivos, além de condições de saúde mental. Entre os problemas reconhecidos estão asma, refluxo gastroesofágico, rinossinusite crônica, doenças respiratórias provocadas por fumaça e vapores e transtorno de estresse pós-traumático.
Isso ocorre porque a exposição não se limitou a um único agente. A poeira e a fumaça continham diferentes partículas e substâncias, enquanto o trabalho de resgate também envolveu contato prolongado com um ambiente extremamente contaminado.
Por isso, os efeitos observados nos participantes são variados. Alguns problemas aparecem principalmente no sistema respiratório, enquanto outros podem envolver o aparelho digestivo, a saúde mental ou diferentes tipos de câncer.









