Europa enfrenta cenário de “apocalipse” com calor extremo, incêndios e milhares de pessoas deixando suas casas
O fogo consome florestas em pelo menos quatro países do sul e do leste europeu neste verão marcado por calor intenso e falta de chuva. Grécia, França…

O fogo consome florestas em pelo menos quatro países do sul e do leste europeu neste verão marcado por calor intenso e falta de chuva. Grécia, França, Espanha e Turquia registraram frentes de incêndio, com comunidades evacuadas às pressas diante do avanço das chamas.
A área atingida pelos incêndios já alcançou centenas de milhares de hectares no continente. Dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (Effis) apontavam mais de 435 mil hectares queimados até o fim de julho, enquanto um levantamento da Reuters registrou mais de 576 mil hectares até meados de agosto.
Vento forte, vegetação seca e temperaturas elevadas criaram condições favoráveis para que as chamas se espalhassem rapidamente. O impacto vai além da paisagem destruída: atividades turísticas, propriedades, plantações e negócios foram afetados em diferentes regiões.
O setor de seguros também precisou reagir. Na França, seguradoras anunciaram medidas excepcionais para pessoas afetadas pelos incêndios, incluindo ampliação do prazo para comunicar sinistros e cobertura de custos de hospedagem temporária para moradores retirados de suas casas.
Grécia luta contra grandes incêndios
Rajadas de vento transformaram pequenos focos em grandes frentes de fogo espalhadas pelo território grego. Áreas próximas a Atenas e outras regiões do país registraram evacuações diante do avanço das chamas.
Em julho, três bombeiros morreram durante o combate a incêndios na Grécia. Dois foram mortos na ilha de Creta, depois que o veículo em que estavam ficou cercado pelas chamas, enquanto um terceiro morreu durante uma operação no Peloponeso.
Bordéus lida com maior incêndio da França desde 1949
Os principais focos de incêndio na França chegaram a ser contidos, mas os incêndios iniciados em julho provocaram uma destruição sem precedentes nas últimas décadas. Somente na região de Gironda, perto de Bordéus, um incêndio iniciado em Saumos queimou cerca de 42 mil hectares.
O episódio foi considerado o maior incêndio florestal registrado na França desde o desastre de 1949, quando um incêndio na região das Landes de Gascogne destruiu aproximadamente 50 mil hectares.
Cerca de 220 mil pessoas precisaram deixar suas casas na Gironda, enquanto aproximadamente 240 residências foram destruídas pelas chamas. O incêndio chegou a avançar até cerca de 15 quilômetros da região metropolitana de Bordéus.
O episódio também provocou impactos econômicos. A região de Bordéus é conhecida mundialmente pela produção de vinho e depende fortemente do turismo, enquanto os incêndios atingiram áreas de interesse turístico e dificultaram a circulação de moradores e visitantes.
A recomendação das autoridades para que turistas evitassem algumas áreas atingidas pelos incêndios aumentou a preocupação com os efeitos sobre a economia local.
Turquia soma evacuações em hospitais
Incêndios também atingiram o território turco durante o verão, provocando evacuações em áreas residenciais e afetando estruturas essenciais. A ocorrência de novos focos em diferentes países reforçou a dimensão continental da temporada de incêndios.
A crise chegou a interferir até no calendário esportivo. Na França, a etapa final do Tour de France foi reduzida de 133 para 89 quilômetros porque forças de segurança precisaram ser deslocadas para atuar no combate aos incêndios próximos a Bordéus.
Espanha ainda enfrenta focos ativos
O estado de emergência nacional foi encerrado na Espanha, mas diferentes regiões do país continuaram enfrentando incêndios e riscos de novos focos. Em julho, grandes incêndios atingiram áreas próximas a Madri, Ávila, Toledo e outras partes do território.
Naquele período, mais de 100 mil pessoas foram retiradas de áreas ameaçadas ou orientadas a buscar abrigo, enquanto os incêndios atingiam dezenas de milhares de hectares.
Um padrão que se repete a cada verão
O que aconteceu em Grécia, França, Espanha e outros países europeus durante o verão de 2026 não pode ser analisado apenas como uma sequência de episódios isolados. Dados e estudos climáticos apontam que o aquecimento do continente contribui para condições mais favoráveis à ocorrência de ondas de calor, períodos de seca e incêndios mais intensos.
A Europa é um dos continentes que mais rapidamente se aquece, enquanto as ondas de calor recentes foram acompanhadas por grandes incêndios e impactos sobre a agricultura, a qualidade do ar e a economia.
Enquanto equipes de combate e autoridades seguem trabalhando na recuperação das áreas atingidas, o custo humano, ambiental e econômico dos incêndios de 2026 já coloca a temporada entre as mais graves registradas na Europa nas últimas décadas.









