Golpistas agora conseguem copiar rosto e voz e usar a própria vítima para enganar parentes

Com o avanço da tecnologia, há muitas melhorias para a vida das pessoas. Porém, também existem coisas nas quais os criminosos acabam incorporando para aplicar golpes. Uma delas é a utilização de inteligência artificial (IA) para copiar rosto e voz do usuário e utilizar a própria vítima para enganar parentes.
A prática muda uma característica importante das fraudes digitais. Antes, uma das principais estratégias era conseguir senhas, códigos de acesso ou informações bancárias. Agora, os criminosos também podem utilizar dados disponíveis na internet para construir uma representação falsa de uma pessoa e, com isso, tentar convencer alguém que já possui uma relação de confiança com a vítima.
Clonagem de identidade ganha espaço
O avanço desse tipo de fraude foi identificado pelo levantamento Mapa de Confiança Digital, realizado pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados em parceria com a Certta. O estudo analisou conteúdos publicados entre 1º de janeiro e 22 de julho de 2026, além de pesquisas realizadas em mecanismos de busca e discussões sobre segurança digital.
Durante o período analisado, foram identificadas 2,8 mil menções relacionadas à manipulação de dados. O número corresponde a 7,3% das 39,7 mil menções sobre desafios cotidianos de segurança.
A pesquisa mostra que a preocupação com segurança digital não está mais concentrada apenas na proteção de senhas. A própria identidade passou a fazer parte desse cenário, principalmente porque ferramentas de inteligência artificial conseguem transformar informações pessoais em conteúdos que simulam uma pessoa real.
Como a IA consegue copiar uma pessoa
Para produzir uma representação digital, os criminosos podem utilizar materiais que já estejam disponíveis na internet. Fotografias fornecem referências para a aparência, enquanto vídeos podem apresentar movimentos e expressões. Gravações de voz, por sua vez, podem ser utilizadas por sistemas capazes de reproduzir características da fala.
A partir desse conjunto de informações, ferramentas de IA generativa conseguem criar conteúdos artificiais que imitam determinados aspectos da pessoa original. O resultado pode ser utilizado em imagens, vídeos ou mensagens de áudio.
Isso permite que o golpe seja construído de uma maneira diferente. Em vez de simplesmente afirmar que é determinada pessoa, o criminoso pode apresentar elementos que fazem a comunicação parecer verdadeira.
O problema aumenta quando essas características são utilizadas para abordar familiares ou amigos. Como existe uma relação anterior de confiança, a vítima pode inicialmente não imaginar que está diante de um conteúdo produzido artificialmente.
Dinheiro aparece entre os principais riscos
A possibilidade de utilizar uma identidade clonada também abre espaço para fraudes financeiras. O criminoso pode tentar se passar por alguém conhecido e criar uma situação de emergência para pedir dinheiro ou solicitar uma transferência.
De acordo com o levantamento da Nexus e da Certta, foram registradas 9,1 mil menções relacionadas a possíveis danos financeiros. Esse volume representa 23% das discussões analisadas nesse recorte.
Entre as situações identificadas estão preocupações envolvendo golpes com Pix e outras transações financeiras. Assim, a clonagem de identidade pode funcionar como uma etapa anterior à tentativa de obter dinheiro, já que a confiança criada pela imitação da pessoa pode facilitar a abordagem.
Por isso, uma solicitação financeira feita por uma voz conhecida ou acompanhada de uma imagem aparentemente familiar não deve ser considerada automaticamente verdadeira.
Dados pessoais também entram na mira
Outro ponto importante identificado pela pesquisa envolve a exposição de informações pessoais. O levantamento encontrou 3,3 mil menções relacionadas a dados pessoais e à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o equivalente a 8,3% das conversas analisadas sobre segurança no cotidiano.
Essas informações podem ter diferentes utilidades para os criminosos. Uma fotografia isolada, por exemplo, pode não representar um risco imediato. Porém, quando é combinada com vídeos, áudios, nome, profissão, familiares e outros detalhes disponíveis publicamente, pode ajudar a formar um perfil mais completo da vítima.
Dessa forma, a exposição de dados passa a ter relação direta com a possibilidade de criação de identidades falsas. Quanto mais informações estiverem disponíveis, maior pode ser o conjunto de referências utilizado por ferramentas de inteligência artificial.








