Criminosos montaram um verdadeiro “dossiê” com CPF, parentes e vida financeira de brasileiros; saiba quem está na lista
A estrutura do crime digital mudou. Dados pessoais vazados deixaram de circular apenas em fóruns ocultos e passaram a ser organizados em plataformas de consulta.

A estrutura do crime digital mudou. Dados pessoais vazados deixaram de circular apenas em fóruns ocultos e passaram a ser organizados em plataformas de consulta que funcionam como verdadeiros sistemas de busca, acessíveis a criminosos. Informações cadastrais, históricos financeiros, vínculos empregatícios e até registros de vacinação são reunidos em marketplaces digitais, potencializados pelo uso da inteligência artificial.
Essas bases são alimentadas por diferentes incidentes de segurança e por acessos não autorizados a APIs de empresas. Com um simples CPF ou número de telefone, é possível obter dados suficientes para validar a identidade de uma pessoa em segundos. O que antes exigia dias de pesquisa agora está disponível de forma instantânea.
Alerta
O alerta de especialistas é para o avanço das deepfakes. Com a IA, criminosos conseguem replicar vozes de familiares e criar falsos áudios para aplicar golpes. A tecnologia também tem reduzido o tamanho das quadrilhas: uma única pessoa pode operar diversos golpes simultaneamente, usando ferramentas automatizadas. Em grupos mais estruturados, já há indícios de participação de facções criminosas, com divisão de tarefas e até contadores.
Os golpes mais comuns incluem o falso familiar, o falso advogado e o falso gerente bancário. O acesso a dados de localização também tem sido usado para extorsão. A recomendação das autoridades é que a população desconfie de contatos inesperados, evite clicar em links suspeitos e opte por resolver questões bancárias presencialmente.
Além da execução dos golpes, a IA também é usada para evoluir a infraestrutura criminosa. As plataformas exploram falhas técnicas, infectam dispositivos com malwares e extraem credenciais que permitem o acesso a sistemas corporativos. O modelo mais recente envolve a venda de acesso a dados por meio de APIs, que podem ser integradas a scripts automatizados para consultas em larga escala.








