Operários abrem terreno para uma nova cidade e encontram mamute, rinoceronte, lobo e hiena da Era do Gelo

A construção de uma nova cidade no sudoeste da Inglaterra acabou revelando um registro de milhares de anos atrás. Conforme noticiado pelo portal Smithsonian Magazine, durante as escavações realizadas para a construção do empreendimento Sherford, em Devon, arqueólogos encontraram restos de diversos animais que viveram durante a última Era do Gelo.
Entre os materiais identificados estão partes de mamute-lanoso, rinoceronte-lanoso, lobo e hiena, além de cavalos, renas, lebres-da-montanha, raposas e outros pequenos mamíferos. As descobertas ajudam a reconstruir como era o ambiente da região entre aproximadamente 30 mil e 60 mil anos atrás.
Descoberta aconteceu durante a construção
O achado ocorreu quando trabalhadores realizavam intervenções no terreno destinado à construção de Sherford, um grande projeto imobiliário localizado próximo a Plymouth.
Durante o trabalho, foram identificados depósitos arqueológicos associados a uma caverna. A partir daí, especialistas passaram a investigar o local e encontraram uma concentração incomum de restos animais.
O material chamou atenção principalmente pelo estado de preservação de alguns exemplares. Os pesquisadores encontraram, por exemplo, uma presa e um molar de mamute, além de partes do crânio e da mandíbula de um rinoceronte-lanoso.
Também foi identificado um esqueleto de lobo praticamente completo. Restos parciais de hiena e de outros animais completaram o conjunto.
Animais viveram em um ambiente muito diferente
A importância da descoberta está relacionada não apenas às espécies encontradas, mas ao que elas revelam sobre o território naquela época.
Entre 30 mil e 60 mil anos atrás, Devon apresentava condições climáticas muito mais frias e secas do que as atuais. A paisagem era dominada por áreas abertas, capazes de sustentar grandes animais adaptados às baixas temperaturas.
O Museu de História Natural de Londres destaca que esse ambiente oferecia condições para a presença de grandes herbívoros, como mamutes, rinocerontes-lanosos e renas. Ao mesmo tempo, predadores como lobos e hienas ocupavam uma posição diferente dentro desse ecossistema.
Lobos e hienas completam o cenário
A descoberta também revelou a presença de grandes predadores. O esqueleto praticamente completo de lobo é um dos achados mais relevantes porque permite estudar o animal de maneira mais detalhada do que seria possível a partir de apenas um osso isolado.
Já os restos de hiena ajudam a identificar outro componente da fauna daquele período. Esses animais faziam parte dos grandes carnívoros que ocupavam a paisagem europeia durante a Era do Gelo.
A coexistência desses predadores com mamutes, rinocerontes, renas e cavalos mostra que o local não era apenas uma área de passagem para animais isolados. Os restos preservados registram uma comunidade de espécies que utilizava aquele ambiente em diferentes momentos.
O que aconteceu com os animais depois?
Os fósseis não indicam necessariamente que todos os animais morreram no mesmo momento.
Restos acumulados em cavernas podem resultar de diferentes processos naturais ao longo de períodos extensos. Predadores podem utilizar esses locais, animais podem morrer nas proximidades e seus restos podem ser transportados ou incorporados aos sedimentos posteriormente.
Por isso, os especialistas precisam analisar cada fragmento considerando sua posição, conservação e relação com os demais materiais.








