Neve cobre um dos lugares mais secos da Terra, e cidade recebe em três dias chuva equivalente à média de dez anos
Imagens de satélite captadas pela agência espacial americana mostraram a neve.

O Deserto do Atacama, no norte do Chile, surpreendeu cientistas ao registrar neve em pleno mês de agosto, com duas tempestades consecutivas que transformaram a paisagem árida em um cenário coberto de gelo. O fenômeno ocorreu no planalto de Chajnantor, onde está localizado o observatório astronômico ALMA. A primeira tempestade, registrada no início de agosto, foi seguida por outra na segunda metade do mês, ainda mais intensa e com alcance maior.
Imagens de satélite captadas pela agência espacial americana mostraram a neve descendo dos Andes e avançando por uma das regiões mais secas do mundo, quase alcançando o litoral do Pacífico ao sul de Antofagasta.

Enquanto nas altitudes elevadas a precipitação veio na forma de neve, nas áreas mais baixas o fenômeno se manifestou como chuva intensa. A cidade litorânea de Taltal registrou quase 40 milímetros em apenas três dias, volume cerca de dez vezes superior à média anual esperada para o local.
Causa do evento
O evento foi causado pela chegada de sistemas de baixa pressão que se desprenderam da corrente de jato e avançaram sobre o norte do Chile. Dessa vez, o sistema estava associado a uma área de baixa pressão excepcionalmente ampla, que cobria boa parte do Hemisfério Sul, combinada com umidade vinda do Pacífico.
O fortalecimento do El Niño também contribuiu para tornar o inverno mais úmido do que o normal na região.
Enchentes
A quantidade de água que caiu sobre uma área historicamente seca provocou enchentes repentinas e deslizamentos de terra em diversos pontos do norte chileno. Milhares de pessoas foram afetadas e centenas de imóveis sofreram danos significativos, conforme balanço das autoridades locais.
O observatório ALMA, um dos mais importantes do mundo, precisou suspender temporariamente as operações e colocar as antenas em modo de proteção para evitar danos causados pela neve pesada e pelos ventos fortes.
Embora o Atacama já tenha registrado episódios semelhantes em anos como 2011 e 2025, a extensão da cobertura de neve em 2026 foi maior do que o habitual, avançando mais perto do litoral.









