Bebês que não recebem essa injeção ao nascer podem sofrer sangramento grave; risco é 81 vezes maior
A aplicação de vitamina K faz parte dos cuidados recomendados para recém-nascidos porque ajuda o organismo a produzir substâncias necessárias para a…

A aplicação de vitamina K faz parte dos cuidados recomendados para recém-nascidos porque ajuda o organismo a produzir substâncias necessárias para a coagulação do sangue. Sem essa proteção, o bebê pode desenvolver a chamada deficiência de vitamina K com sangramento (VKDB), uma condição rara, mas que pode provocar hemorragias graves e até levar à morte.
O risco existe porque os recém-nascidos chegam ao mundo com estoques muito baixos do nutriente. Uma única aplicação intramuscular logo após o nascimento é considerada a maneira mais eficaz de prevenir o problema e protege contra os diferentes tipos de sangramento relacionados à deficiência.
O que é vitamina K e por que recém-nascidos não têm o suficiente
A vitamina K é um nutriente solúvel em gordura que participa da coagulação do sangue e também está envolvido na saúde dos ossos. Em adultos e crianças maiores, ela pode ser obtida por meio da alimentação e também é produzida por bactérias presentes no intestino.
Nos primeiros dias de vida, porém, os estoques são naturalmente baixos. Apenas pequenas quantidades atravessam a placenta durante a gestação, enquanto o leite materno contém concentrações reduzidas da substância. Além disso, o intestino do recém-nascido ainda não conta com a mesma população de bactérias capaz de produzi-la.
Por isso, esperar que a alimentação forneça quantidade suficiente não é considerado uma estratégia adequada para prevenir a VKDB. A recomendação de aplicação ao nascer vale tanto para bebês que serão amamentados quanto para aqueles que receberão fórmula. No caso da alimentação artificial, embora a fórmula tenha mais vitamina K, a aplicação continua sendo recomendada.
Deficiência de vitamina K com sangramento: tipos e riscos
A VKDB acontece quando o organismo do bebê não consegue produzir adequadamente os fatores necessários para controlar uma hemorragia. O sangramento pode aparecer em diferentes partes do corpo e, em alguns casos, ocorrer internamente sem sinais perceptíveis para os pais.
A condição é dividida em três formas de acordo com o momento em que aparece. A precoce ocorre nas primeiras 24 horas de vida e está principalmente associada ao uso materno de determinados medicamentos durante a gestação, como alguns anticonvulsivantes. A clássica surge entre o segundo dia e a primeira semana e pode provocar hematomas ou sangramento no cordão umbilical.
Já a forma tardia pode surgir entre uma semana e seis meses de idade, sendo mais comum entre a segunda e a oitava semana. É considerada a mais preocupante porque entre 30% e 60% dos casos envolvem hemorragia intracraniana, que pode causar danos cerebrais permanentes ou ser fatal.
A condição é rara justamente porque a maioria dos recém-nascidos recebe a aplicação preventiva. Mesmo assim, o risco aumenta significativamente quando ela não é administrada: bebês que não recebem a dose ao nascer têm 81 vezes mais chances de desenvolver a forma tardia da VKDB em comparação com aqueles que recebem a proteção.
Os sinais podem incluir hematomas, sangramento pelo nariz ou pelo cordão umbilical, palidez e alterações relacionadas ao estado geral do bebê. O problema é que, na maioria dos casos, não há sinais de alerta antes de uma hemorragia potencialmente grave, o que dificulta identificar a condição antecipadamente.
Segurança comprovada há décadas
A aplicação intramuscular é utilizada para prevenir esse tipo de sangramento há décadas. Nos Estados Unidos, a recomendação de oferecer uma dose ao nascer existe desde 1961, quando foi adotada pela Academia Americana de Pediatria. Atualmente, o CDC reforça que uma única aplicação é a forma mais eficaz de prevenir a VKDB.
A dose é aplicada no músculo da coxa e pode ser administrada logo após o nascimento. Segundo o CDC, ela pode ser adiada por até seis horas para permitir o contato inicial entre mãe e bebê, sem comprometer a proteção quando realizada dentro desse período.
Os efeitos adversos costumam ser leves, como dor, pequeno inchaço ou hematoma no local da aplicação. Depois de receber a dose, o organismo armazena o nutriente no fígado e pode utilizá-lo gradualmente nos meses seguintes.
A prevenção é especialmente importante porque a hemorragia pode surgir mesmo em bebês que pareciam saudáveis até então. A aplicação ao nascer reduz a incidência da forma tardia para menos de um caso a cada 100 mil recém-nascidos, segundo dados do CDC.









