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Cientistas brasileiros encontram animal raro na Mata Atlântica que acreditavam estar extinto

Uma técnica inovadora de análise genética permitiu localizar uma espécie ameaçada sem a necessidade de capturar qualquer exemplar.


Por Clyverton Silva

02/09/2026 às 17h14

Cientistas brasileiros encontram animal raro na Mata Atlântica que acreditavam estar extinto
Foto: Juliana Paulo da Silva

Uma técnica inovadora de análise genética permitiu localizar uma espécie de peixe criticamente ameaçada sem a necessidade de capturar qualquer exemplar. O bagrinho-de-kaetés foi detectado em riachos da bacia do Rio Itapemirim, no sul do Espírito Santo, a partir de vestígios de DNA deixados na água. O estudo ampliou a área conhecida de ocorrência da espécie, considerada uma das mais raras da Mata Atlântica.

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Foto: Juliana Paulo da Silva

A pesquisa foi conduzida por uma equipe multidisciplinar composta por cientistas de instituições de pesquisa e universidades. Os resultados foram publicados em uma revista científica especializada. Além do bagrinho, os pesquisadores identificaram outras 25 espécies de vertebrados nas amostras, incluindo 15 espécies de peixes, aves e mamíferos.

Bagrinho-de-kaetés

O bagrinho-de-kaetés ocorre exclusivamente nas cabeceiras da bacia do Rio Itapemirim, o que torna sua distribuição extremamente restrita. O peixe habita ambientes com água cristalina, bem oxigenada e rodeados por florestas preservadas.

Pequeno e discreto, costuma se esconder entre folhas e galhos acumulados nos riachos. A espécie depende diretamente da conservação desses ambientes, e qualquer alteração, como desmatamento da vegetação ciliar ou assoreamento, pode comprometer sua sobrevivência.

O bagrinho pertence a uma linhagem antiga de bagres, considerada relevante para entender a evolução desse grupo de peixes. A técnica utilizada no estudo, conhecida como DNA ambiental, funciona como uma investigação genética da natureza.

Todos os organismos deixam rastros no ambiente por meio de escamas, muco, fezes e outros materiais biológicos. Os pesquisadores coletaram amostras de água, filtraram para concentrar o material genético e, em laboratório, extraíram e sequenciaram o DNA para identificar as espécies presentes.