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Coelhos falsos respiram, esquentam e soltam cheiro para atrair cobras gigantes escondidas em parque e facilitar sua captura

Para conter problema, pesquisadores locais passaram a utilizar coelhos robóticos como iscas.


Por Clyverton Silva

05/09/2026 às 11h35

Coelhos falsos respiram, esquentam e soltam cheiro para atrair cobras gigantes escondidas em parque e facilitar sua captura
Foto: FLORIDA FISH & WILDLIFE

A presença da píton-birmanesa nos Everglades, no sul da Flórida, Estados Unidos, tornou-se uma ameaça ao equilíbrio ecológico da região. Essas cobras, originárias do Sudeste Asiático, alimentam-se de espécies nativas como mamíferos, aves e répteis, o que tem causado redução significativa das populações desses animais.

Para conter o problema, pesquisadores locais, com financiamento do Distrito de Gestão de Águas da Flórida, passaram a utilizar coelhos robóticos como iscas para localizar e capturar os predadores.

Foram implantados 120 coelhos robôs equipados com movimentos realistas e até mesmo odor semelhante ao dos animais vivos. Eles funcionam com energia solar e são monitorados por câmeras. Quando uma píton ataca o robô, os rastreadores conseguem identificar a localização da cobra e removê-la antes que ela se reproduza, reduzindo assim o impacto sobre as espécies nativas.

Estratégia planejada

A estratégia tem como base estudos anteriores. Em 2015, o Serviço Geológico dos Estados Unidos, em parceria com a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida e a Universidade da Flórida, conduziu uma pesquisa que revelou a gravidade do problema.

Os cientistas soltaram 95 coelhos-do-brejo em áreas dos Everglades e, em 11 meses, constataram que as pítons foram responsáveis por 77% das mortes desses animais, reduzindo drasticamente as presas disponíveis para predadores nativos.

Pítons birmanesas nos Everglades

As pítons birmanesas foram avistadas pela primeira vez nos Everglades na década de 1970. Acredita-se que tenham chegado à região por meio do comércio de animais de estimação ou como peças de exibição para colecionadores de espécies exóticas.

Com o tempo, solturas acidentais e intencionais permitiram que essas cobras se estabelecessem na cadeia alimentar local. Inicialmente restritas ao Parque Nacional Everglades e ao Condado de Miami-Dade, hoje elas se espalham por grande parte do sul da Flórida.