Espécie de sapo passa até 8 meses congelado, sem respirar e sem batimentos, mas o coração volta a funcionar na primavera
O animal sobrevive porque acumula glicose nos tecidos, controla a formação de gelo e reduz o metabolismo.

Durante o inverno no Hemisfério Norte, o sapo-da-madeira pode passar até 8 meses em estado de congelamento, sem respirar e com o coração parado. O animal sobrevive porque acumula glicose nos tecidos, controla a formação de gelo e reduz o metabolismo. Quando a temperatura sobe, o degelo reativa coração, circulação, respiração e movimentos.
O gelo começa a se formar nos espaços entre as células, retirando água do interior delas. A circulação cessa, a respiração para e não há batimento detectável. Mesmo parecendo morto, o animal mantém suas células protegidas. O metabolismo cai ao mínimo, órgãos ficam imóveis e boa parte da água corporal vira gelo.
Congelamento
Ao detectar o congelamento, o fígado transforma glicogênio armazenado em grandes quantidades de glicose. O açúcar entra no sangue e nos órgãos, ajudando as células a reter água e reduzindo alterações perigosas durante o frio.
Há quatro etapas principais no processo. Primeiro, os cristais de gelo começam a se formar nos líquidos fora das células e disparam a resposta fisiológica.
Em seguida, o fígado libera açúcar, convertendo glicogênio em glicose e enviando pela circulação. As células perdem água de forma controlada, o que reduz a chance de cristais perfurarem estruturas internas. Por fim, o metabolismo desacelera, enquanto coração e respiração permanecem suspensos.
O gelo se forma fora das células para evitar que cristais rompam membranas e organelas. O sapo direciona o congelamento para os espaços externos, enquanto a glicose e outros solutos mantêm o interior celular concentrado. Essa estratégia mantém as alterações dentro de limites reversíveis.
Proteínas de estresse, antioxidantes e controle de água ajudam a preservar coração, cérebro e fígado até o degelo.









