Conta de luz cai 6,25% e quatro alimentos ficam mais baratos no Brasil, mas o alívio veio de um bônus que não se repete todo mês
O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, registrou queda de 0,40% em agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística…

O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, registrou queda de 0,40% em agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a primeira deflação do indicador desde agosto de 2025 e o menor resultado para o mês desde 2022.
A principal explicação para o resultado veio da conta de luz. As tarifas residenciais recuaram 6,25% em agosto devido ao Bônus de Itaipu, desconto aplicado a consumidores de energia elétrica. Alguns alimentos também ficaram mais baratos, com destaque para tomate, batata-inglesa, cenoura e café moído.
Apesar do resultado positivo para o bolso neste mês, parte desse alívio é temporária. A redução provocada pelo bônus não se repete mensalmente e deve ser revertida em setembro.
Em 12 meses, o IPCA-15 acumulou alta de 4,24%, abaixo dos 4,52% registrados até julho. O resultado ficou dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação, que tem centro de 3% e limite superior de 4,5%.
Energia elétrica derruba o IPCA-15 em agosto
A energia elétrica residencial foi o principal fator de baixa no índice. O Bônus de Itaipu concedeu um abatimento de R$872,1 milhões nas contas de 83,8 milhões de consumidores, reduzindo o valor pago em agosto.
O desconto ocorreu mesmo com a bandeira tarifária amarela em vigor. Nesse sistema, há cobrança adicional de R$1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
Algumas capitais também tiveram reajustes nas tarifas durante o período. Curitiba, Porto Alegre e São Paulo registraram aumentos, mas a aplicação do bônus fez com que a variação final da energia permanecesse negativa no IPCA-15.
Alimentos também recuaram no mês
A alimentação no domicílio caiu 0,57% em agosto, ajudando a conter o índice. Entre os produtos que ficaram mais baratos, os maiores recuos foram registrados em:
- Tomate: -27,38%;
- Batata-inglesa: -25,14%;
- Cenoura: -17,05%;
- Café moído: -2,31%.
O comportamento não foi igual para todas as despesas com alimentação. O lanche comprado fora de casa subiu 0,75%, enquanto a refeição teve alta de 0,25%.
Isso mostra que a deflação registrada pelo IPCA-15 não significa uma queda generalizada dos preços. Alguns produtos e serviços continuaram subindo, mesmo com a redução da energia e de determinados alimentos.
Por que a queda não deve durar
O principal motivo para o resultado negativo de agosto é justamente o que limita sua duração. O Bônus de Itaipu é um abatimento aplicado às contas de energia e não representa uma redução permanente das tarifas.
Com a retirada desse efeito em setembro, a energia elétrica tende a voltar a pressionar o índice. Por isso, economistas esperam uma aceleração da inflação no próximo mês.
Além disso, outros grupos continuaram registrando aumentos em agosto, como despesas pessoais, educação e saúde e cuidados pessoais. O resultado mostra, portanto, um alívio pontual no orçamento das famílias, mas não uma mudança generalizada na trajetória dos preços.
Para o consumidor, a conta de luz mais barata e a queda de alguns alimentos ajudam a reduzir as despesas no curto prazo. O efeito, porém, deve ser menor quando o desconto extraordinário da energia deixar de aparecer no cálculo da inflação.









