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Animal de 14 pernas e meio metro passa mais de cinco anos sem comer e guarda a refeição em um estômago que ocupa 2/3 do corpo

Equipe de cientistas do Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciências estudou duas espécies.


Por Clyverton Silva

28/08/2026 às 02h12

Animal de 14 pernas e meio metro passa mais de cinco anos sem comer e guarda a refeição em um estômago que ocupa 2/3 do corpo
Foto: Pixabay

Uma nova pesquisa publicada na revista Cell revelou os mecanismos biológicos que permitem que os isópodes de águas profundas sobrevivam por mais de cinco anos sem se alimentar. Esses crustáceos, parentes distantes dos tatus-bola terrestres, habitam um ambiente hostil onde a comida chega apenas na forma de detritos orgânicos que lentamente caem das camadas superiores do oceano.

A equipe de cientistas do Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciências estudou duas espécies: Bathynomus doederleini, que vive a cerca de 300 metros de profundidade, e Bathynomus jamesi, encontrada a aproximadamente 900 metros.

Ambas possuem corpo achatado e segmentado, 14 patas articuladas e um exoesqueleto rígido que as protege. Alguns exemplares chegam a medir mais de meio metro de comprimento. Como seus parentes terrestres, também são capazes de se enrolar em uma bola como mecanismo de defesa.

Adaptações anatômicas

Os pesquisadores identificaram uma combinação de adaptações anatômicas, metabólicas e genéticas que explicam a notável capacidade de resistência desses animais à fome prolongada.

A principal adaptação observada foi o tamanho do estômago. Na espécie que habita maiores profundidades, esse órgão ocupa cerca de dois terços da cavidade corporal, funcionando como um armazém interno que permite ao animal acumular grandes quantidades de alimento quando uma fonte nutritiva surge no ambiente escasso. O metabolismo extremamente reduzido e a digestão lenta garantem que as reservas sejam consumidas de forma gradual.

Presença de bactérias do grupo Chlamydiae

Os pesquisadores também descobriram a presença de bactérias do grupo Chlamydiae no sistema digestivo dos isópodes. Esses microrganismos, frequentemente associados a doenças em outras espécies, desempenham um papel benéfico nesse contexto, auxiliando no armazenamento de gordura e fornecendo energia de liberação prolongada.