Miss Brasil Gay chega aos 50 anos entre tradição e renovação
Concurso busca se renovar para preservar atividades e dialogar com gerações mais jovens

O Miss Gay Brasil nasceu na década de 1970, em Juiz de Fora. Desde então, o concurso se destacou nacionalmente por ser um evento que celebra a diversidade e a luta pelos direitos LGBTQIA+. Celebrando seus 50 anos em 2026, o evento, que busca encontrar o mais belo transformista do Brasil, também se reinventou ao longo de sua trajetória para preservar seu legado, acompanhando as mudanças de público.
Grande parte do público do Miss Gay Brasil se manteve fiel desde sua criação, o que resultou em uma média de idade mais madura com o passar dos anos. Porém, esse movimento teve uma mudança significativa a partir de 2019, quando a organização começou a incluir shows e festas em sua programação.
De acordo com Michel Brucce, produtor do evento, essa medida não só rejuvenesceu o público e apresentou o concurso para as gerações mais novas, mas também aumentou a visibilidade do evento para além do Brasil e de Minas Gerais.
Novos ares, novos públicos
O produtor conheceu o concurso em 2017, época em que organizava a Parada LGBTQIA+. Michel conta que foi assistir ao Miss Brasil Gay e se apaixonou pelo concurso, que ele descreve ser um espetáculo.
Ele levou suas festas para o público do concurso, percebendo que isso atraia os mais jovens para assistir a todas as etapas e participar do Miss Brasil Gay. Desde então, a organização tem buscado trazer esses evento paralelos e atrações para os shows que façam sentido para o seu público: Glória Groove e Pabllo Vittar, por exemplo, já marcaram presença em edições anteriores.
Como resultado, o público do concurso, de acordo com o produtor, não só passou a integrar as novas gerações, como também aumentou significativamente: se em 2017 eram esperadas menos de mil pessoas, hoje a expectativa praticamente quadruplicou.
Michel explica que o objetivo dessas medidas, além da presença nas redes sociais e o uso de uma linguagem que converse com o público mais jovem, não é mudar a essência do evento, mas, sim, garantir que ele continue relevante e siga acontecendo.
André Pavam, que integra a coordenação nacional e direção artística do Miss Gay Brasil, completa: “Toda ideia que for para trazer coisas novas é ótima”. Ele explica que com novas iniciativas, a média de idade do concurso fica em torno de 30 anos, sendo possível agradar aos mais velhos, que já frequentam o concurso há anos, e aos mais novos.
Reinventar e preservar
O público do Miss Gay Brasil também percebe essa mudança. Marlos Andreucci Itaborahy, que frequenta o concurso há quase 30 anos, conta que percebe que o público mais jovem tem ido ao concurso. O desafio, para ele, é fidelizar as novas gerações e, além disso, conseguir mostrar porque esse evento continua sendo tão importante para a comunidade.
“E eu acho que eles têm conseguido fazer isso, porque eles têm agregado algumas coisas para conseguir captar esse público, como as festas que acontecem logo na sequência. Mas não é uma missão tão fácil, já que os jovens têm muitas opções de entretenimento hoje em dia.”
Juan Pablo Silva Alves, designer de festas, que frequenta o concurso desde 2022, conta que o público acaba sendo atraído mais pelos shows de artistas maiores do que a programação em si. “Depois que acabaram os shows famosos no intervalo do evento, ele ficou para quem realmente gosta de ver os desfiles.”

O designer não vê isso como um problema: para ele, o evento fica melhor ainda quando apenas as pessoas que realmente desejam estar ali, estão. “Sempre foi um evento glamouroso, então ficou mais ainda, pois quem vai é quem realmente deseja estar ali e se veste para estar ali. Para mim é o mais importante da comunidade, pois ele abriu portas para muitos outros eventos e principalmente para questões que ajudou a comunidade.”
Marlos, que está aguardando ansiosamente a edição deste ano, também explica que o concurso tem feito isso muito bem, destacando que nunca perdeu sua importância como local de encontro para o público gay, ainda que venha se modificando.
Com o concurso chegando a sua 44ª edição, relembrar a relevância da iniciativa é essencial, valorizando ainda sua trajetória. É por isso que André Pavam defende que os mais jovens conheçam o Miss Brasil Gay. Registrado como Patrimônio Imaterial de Juiz de Fora desde 2007, o evento se consolidou como um evento social que perdurou diante de diversos desafios.

“O meio gay, nosso, também mudou e vem mudando ao longo das décadas. Ele precisou se adaptar a essa nova realidade, ser mais plural e conversar com a comunidade, que é muito mais diversa do que daquela época”, reflete Marlos.
Trazer o público para perto
O evento conta com algumas novidades em sua edição de 2026, que visam trazer o público para perto, como a apresentação das candidatas nesta sexta-feira (21), na Praça Tarcísio Delgado, durante o Baile do Manifesto, antes do concurso oficial, que acontece no sábado (22).
A ideia, de acordo com André, é justamente deixar as candidatas mais próximas, incluindo a população no processo. Outra novidade é a Parada acontecer no domingo, após o concurso e o resultado final. Se antes as pessoas desistiam de ir ao concurso após passar o dia na Parada, agora é possível aproveitar os dois.
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy









