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Fonoaudiólogo da Apae é preso suspeito de abuso sexual contra seis mães de pacientes

Profissional atuou na instituição por cerca de 28 dias e foi afastado após duas mães denunciarem os supostos abusos; investigado nega as acusações 


Por Pâmela Costa

13/08/2026 às 12h02

Seis mulheres denunciaram ter sido vítimas de abuso sexual cometido por um fonoaudiólogo que atendia seus filhos na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Barroso, a cerca de 125 quilômetros de Juiz de Fora. O profissional foi preso preventivamente nesta quarta-feira (12), após pedido da Polícia Civil (PC) aceito pelo Tribuna de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG). Segundo as investigações, o suspeito chamava as mães ao consultório sob o pretexto de ensiná-las a aplicar testes nos filhos. Durante os encontros, ele teria colocado as mulheres entre as próprias pernas e tocado seus corpos para se estimular sexualmente. 

Em depoimento à PC, o investigado negou as acusações. De acordo com o advogado Marcelo Chaves, que representa o suspeito, a defesa teve acesso, até o momento, apenas a uma cópia do inquérito policial e ainda não conhece o teor do parecer do Ministério Público, nem da decisão que decretou a prisão preventiva. “Pelo menos neste momento, não iremos nos manifestar sobre os próximos passos a serem tomados”, afirmou. 

Segundo o advogado, o registro profissional do fonoaudiólogo permanece ativo. A Tribuna questionou o Conselho Regional de Fonoaudiologia da 6ª Região (Crefono 6) sobre a situação do registro profissional do investigado, a possibilidade de suspensão e a eventual adoção de medidas pelo órgão diante do caso. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O texto será atualizado caso haja manifestação.

Segundo a APAE suspeito trabalhou no local por cerca de 28 dias

A APAE da cidade de Barroso divulgou uma nota pública diante do caso, que teria ocorrido dentro do equipamento de saúde. No texto, a associação lamentou o ocorrido e informou que é a primeira vez que um caso assim ocorreu dentro da instituição. Conforme o esclarecimento da instituição, que recebe pessoas com deficiência intelectual e múltipla, o fonoaudiólogo permaneceu como prestador de serviços do local por um período de cerca de 28 dias. 

Durante esse período, o homem foi apresentado às famílias e ficou responsável por orientá-las sobre os procedimentos fonoaudiológicos indicados, bem como sobre as formas adequadas de realizá-los e dar continuidade ao tratamento no ambiente domiciliar. Foi durante a realização desses procedimentos, considerados de praxe, que o suspeito teria usado de seu papel como profissional da saúde para abusar das vítimas – todas, mães de pacientes. 

Conforme a nota da instituição, “em uma mesma semana, a instituição recebeu duas denúncias formuladas por mães de usuários, relatando situações envolvendo o referido profissional”. Ao ser comunicada, a direção da APAE teria suspendido o suspeito de suas atividades e impedido que novos atendimentos fossem realizados por ele na entidade. Ainda de acordo com a Associação, após apuração dos fatos e a gravidade do caso, posteriormente o fonoaudiólogo também foi desligado da instituição.

Por fim, a Apae informou que orientou as famílias envolvidas a procurarem a Polícia Civil e afirmou que a própria instituição vem colaborando integralmente com as investigações, por meio do fornecimento de informações e documentos. “A APAE de Barroso mantém uma relação de proximidade, confiança e respeito com seus usuários e suas famílias, tendo como compromisso permanente a proteção, a segurança, a dignidade e o bem-estar de todos aqueles que são atendidos pela instituição”, finalizou a nota.