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Juiz de Fora tem queda de quase 94% na geração de empregos

Entre janeiro e junho, a cidade registrou 379 novos postos de trabalho; no mesmo período do ano passado, saldo foi de 6.197 vagas


Por Fernanda Castilho

11/08/2026 às 06h00

Juiz de Fora registrou queda de quase 94% na geração de empregos formais ao longo do primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. Entre janeiro e junho, a cidade criou 379 postos de trabalho, resultado entre as 37.426 admissões e as 37.047 demissões realizadas. No mesmo período do ano passado, foram criadas 6.197 vagas, saldo das 42.108 contratações ante 35.911 desligamentos. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados no final do mês de julho, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O Comércio foi o setor que registrou a maior retração, com saldo negativo de 687 postos de trabalho. Na contramão, a Construção Civil e  os Serviços apresentaram desempenho positivo, com saldos de 703 e 445 novas vagas, respectivamente. A Indústria e a Agropecuária também fecharam o período com saldo negativo, de 58 e 23 vínculos formais.

Ao longo do primeiro semestre, os dados mostram que janeiro (-1.086) e fevereiro (-76) foram os meses com pior desempenho, comportamento recorrente no início de cada ano em Juiz de Fora. Em março (735), abril (448) e maio (281), o mercado de trabalho apresentou resultados positivos, mas em ritmo decrescente, até chegar ao saldo de 77 vagas em junho.

A desaceleração na geração de empregos observada na cidade é mais acentuada do que as reduções registradas em Minas Gerais (27%) e no Brasil (25%). Neste primeiro semestre, o país diminuiu o saldo de empregos formais de 1.229.272 para 921.645. No mesmo passo, o estado caiu de 149.187 para 108.977 vagas. O saldo do primeiro semestre em Juiz de Fora é resultado de 37.426 admissões contra 37.047 desligamentos.  No estoque total do período, o município contabilizou 148.076 postos de trabalho com vínculo celetista.

Chuvas e mudança econômica explicam desempenho

Segundo o professor titular do curso de Economia da UFJF e conselheiro do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), Lourival Batista, após a pandemia de Covid-19, o número de empregos em Juiz de Fora vinha apresentando resultados acima das médias estadual e nacional, indicando a recuperação dos postos de trabalho. No entanto, no primeiro semestre deste ano, o saldo passou por uma queda superior à observada em Minas Gerais e no Brasil.

Para ele, a redução nos postos de trabalho foi mais drástica no município, assim como também na região, devido às chuvas e aos desastres climáticos que ocorreram em fevereiro. “A desarticulação urbana causada foi violenta. As famílias perderam residências, o setor público precisou resolver uma série de emergências e houve a inviabilização da mobilidade urbana. Até hoje a cidade não conseguiu restaurar determinados pontos, e isso tem um impacto muito forte na cidade. Embora pequeno, ainda é interessante ter um saldo positivo.”

Quanto aos resultados da Indústria, o setor que menos apresentou crescimento desde 2020, o economista dispara: “Juiz de Fora não é mais a Princesinha de Minas, nem a Manchester mineira”. Para ele, o município tornou-se um polo de serviços, tanto de saúde como de educação, atraindo pessoas de outras regiões, seja para tratamento, formação ou trabalho.

“Com o crescimento dos supermercados, cresce ainda mais o setor de Serviços com toda uma logística de distribuição para Juiz de Fora e região. Também temos que aproveitar tendências, por exemplo, da parte industrial que acaba desembocando também para serviços. A cidade está se transformando em um polo cervejeiro, o que impacta a geração de empregos na indústria como também de serviços”, analisa.

Perspectivas para o mercado de trabalho

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Construção Civil é o setor que mais criou empregos no primeiro semestre (Foto: Leonardo Costa)

O economista estima que alguns problemas que demandam obras no município podem ser resolvidos ainda no segundo semestre, a partir de licitações e recursos encaminhados. Também há o aumento da procura por aluguéis e compra de imóveis com o retorno do calendário letivo. Para ele, esses fatores podem aumentar ainda mais a necessidade de mão de obra na construção civil, elevando o número de empregos no setor, que é o que mais vem criando vagas na cidade.

Também há a possibilidade de redução progressiva na taxa Selic e de maior adesão da população endividada ao programa Desenrola, o que vai permitir maior participação no mercado de consumo. Possibilidades que podem alavancar novamente o comércio juiz-forano e demandar mais contratações, como aponta sua análise.