Especialista explica o que os furinhos no queijo branco realmente revelam sobre o alimento
Especialista explica quando os furinhos no queijo são normais e revela sinais que podem indicar contaminação ou alterações no alimento.

Presente diariamente na alimentação de milhões de brasileiros, o queijo é um dos produtos mais consumidos do país.
Seja no café da manhã, em receitas ou como acompanhamento de refeições, o alimento conquistou espaço pela variedade de tipos, sabores e texturas disponíveis.
Entre as características que mais chamam atenção estão os chamados “furinhos”, conhecidos tecnicamente como olhaduras.
Em alguns queijos, como emmental, gruyère, gouda, maasdam e queijo prato bola, essas cavidades fazem parte do processo natural de produção e são consideradas uma marca registrada do produto.
Porém, quando os mesmos sinais aparecem em queijos que normalmente possuem massa mais uniforme, como alguns tipos de queijo branco, a situação pode exigir atenção.
Segundo especialistas, os furinhos podem estar relacionados tanto a processos naturais de fermentação quanto ao crescimento de microrganismos indesejáveis.
Furos fazem parte da identidade de alguns queijos
As olhaduras surgem durante a fermentação do queijo, quando bactérias utilizadas na fabricação produzem gases que ficam presos na massa do alimento.
Esse processo ocorre principalmente durante a maturação e ajuda a desenvolver características específicas de sabor, aroma e textura.
Nos queijos em que os furos são esperados, eles indicam que o processo de fabricação ocorreu dentro do padrão. A presença dessas cavidades, nesses casos, não representa um problema e faz parte da identidade do produto.
É justamente esse fenômeno que cria a aparência característica de determinados queijos conhecidos mundialmente.
Quando os furinhos podem indicar alteração no alimento
A preocupação aparece quando as olhaduras surgem em produtos que normalmente não apresentam muitas cavidades internas.
O médico patologista André Mario Doi, coordenador médico do setor de Biologia Molecular e Técnicas Especiais do Laboratório do Hospital Israelita Albert Einstein e membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), explica que os furinhos também podem estar relacionados à presença de microrganismos.
Segundo o especialista, o consumidor deve ficar atento principalmente quando as cavidades aparecem acompanhadas de outras alterações no queijo. Entre os sinais de alerta estão:
- Muitos furinhos em um tipo de queijo que normalmente não apresenta essa característica;
- Cavidades grandes, numerosas ou com formatos irregulares;
- Embalagem estufada;
- Mudanças no cheiro, sabor ou textura;
- Alteração na coloração do alimento.
Esses sinais podem indicar falhas durante a fabricação, armazenamento inadequado ou contaminação após o processamento.
Bactérias e fermentações indesejadas podem modificar o queijo
Alguns microrganismos são capazes de produzir gases dentro do alimento, causando mudanças na estrutura do queijo.
Entre eles estão bactérias do grupo dos coliformes, que podem indicar problemas relacionados à higiene durante a produção ou contaminação em alguma etapa do processo.
Outro caso conhecido é o chamado estufamento tardio, associado a espécies do gênero Clostridium. O problema pode provocar grandes espaços vazios dentro do queijo, rachaduras e alterações no odor.
Apesar dos riscos associados a determinados microrganismos, especialistas reforçam que a presença de furinhos isoladamente não confirma uma contaminação perigosa.
A avaliação depende de uma análise completa das características do produto e, quando necessário, de exames microbiológicos.
Queijo com aparência diferente deve ser avaliado antes do consumo
Para o consumidor, a recomendação é observar além da presença dos buracos. Um queijo seguro deve manter as características esperadas para aquele tipo específico.
Caso o produto apresente cheiro desagradável, textura incomum, embalagem alterada ou sabor diferente do habitual, o ideal é evitar o consumo. Especialistas orientam que, diante de uma suspeita:
- O produto não deve ser ingerido;
- A embalagem deve ser preservada para identificação do lote;
- O fabricante deve ser informado;
- O consumidor pode solicitar substituição ou reembolso, quando aplicável.
Se houver sintomas após o consumo, como vômitos, diarreia, febre ou dor abdominal, é recomendado buscar orientação médica.
Controle de qualidade busca evitar problemas na produção
A fabricação de queijos no Brasil passa por fiscalização de órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e serviços estaduais e municipais de inspeção.
Além disso, muitas empresas adotam sistemas de controle como o APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle), utilizado para identificar riscos e prevenir falhas em todas as etapas da produção.
Essas medidas ajudam a garantir que o produto chegue ao consumidor dentro dos padrões de segurança alimentar.









