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Ilha misteriosa que gira sozinha no Rio Paraná continua intrigando cientistas

El Ojo, a misteriosa ilha que gira sozinha no Rio Paraná, intriga cientistas há anos e permanece cercada por mistérios e teorias naturais.


Por Leticia Florenco

20/07/2026 às 19h34

Ilha misteriosa que gira sozinha no Rio Paraná continua intrigando cientistas
El Ojo - Reprodução

No delta do Rio Paraná, em território argentino, uma curiosa formação natural continua intrigando pesquisadores de diferentes áreas.

Conhecida como El Ojo (“O Olho”), a ilha flutuante realiza um movimento circular constante sobre as águas de um pequeno lago, fenômeno que há anos desperta o interesse da comunidade científica e alimenta histórias cercadas de mistério.

Com aproximadamente 120 metros de diâmetro, a ilha impressiona não apenas pelo deslocamento contínuo, mas também pelo formato quase perfeitamente circular, tanto da própria formação quanto do lago onde está localizada.

O cenário é considerado um dos mais incomuns da América do Sul e segue sendo alvo de estudos sobre sua origem e funcionamento.

Descoberta ganhou notoriedade com imagens de satélite

Embora moradores da região já conhecessem a existência da ilha havia décadas, El Ojo passou a chamar atenção internacional somente em 2003, quando imagens de satélite registraram a formação pela primeira vez.

A repercussão aumentou em 2016, quando o cineasta argentino Sergio Neuspiller identificou a estrutura durante um sobrevoo pelo delta do Rio Paraná em busca de locações para um documentário.

As imagens revelaram uma ilha praticamente circular girando lentamente dentro de um lago igualmente arredondado, cenário que rapidamente despertou a curiosidade de especialistas.

Desde então, pesquisadores passaram a analisar o fenômeno para compreender os mecanismos naturais responsáveis pelo movimento.

Ilha é formada por vegetação e matéria orgânica

Ao contrário das ilhas tradicionais, El Ojo não possui uma base rochosa fixa. A estrutura é composta por uma espessa camada de vegetação, juncos, raízes entrelaçadas, turfa e matéria orgânica acumulada ao longo do tempo.

Essa composição permite que a ilha permaneça flutuando sobre a superfície da água, característica comum em algumas áreas pantanosas, mas raramente observada em uma formação com dimensões tão expressivas e comportamento tão peculiar.

A natureza flexível da vegetação também facilita seu deslocamento, tornando possível que a ilha responda às correntes presentes no lago.

Correntes de água são a principal hipótese para explicar a rotação

Apesar de ainda não existir uma explicação definitiva, a hipótese considerada mais provável pelos pesquisadores aponta para a influência das correntes de água que circulam sob a ilha.

Esses movimentos constantes exerceriam pressão sobre a base da formação, fazendo com que ela girasse lentamente em torno do próprio eixo.

Como tanto a ilha quanto o lago possuem formato bastante regular, o atrito entre as margens é reduzido, favorecendo uma rotação contínua ao longo dos anos.

Especialistas acreditam ainda que esse movimento tenha contribuído para moldar as bordas do lago, que apresentam um desenho quase perfeitamente circular.

Local permanece preservado graças ao difícil acesso

Outro fator que contribui para o interesse científico é o estado de conservação da região. El Ojo está situada em uma área pantanosa de acesso extremamente limitado, cercada por canais, vegetação densa e terrenos alagados.

A dificuldade para chegar ao local reduziu significativamente a interferência humana, preservando tanto a formação flutuante quanto a fauna e a flora características do delta do Rio Paraná.

Grande parte das observações atuais continua sendo realizada por meio de imagens aéreas, drones e satélites.

Ecossistema abriga rica biodiversidade

Além do fenômeno geológico, El Ojo representa um importante refúgio ambiental.

As águas do delta concentram diversas espécies de peixes, anfíbios, insetos e aves aquáticas que encontram na ilha um ambiente favorável para alimentação, reprodução e abrigo.

A vegetação flutuante cria um ecossistema relativamente isolado, permitindo que inúmeras espécies se desenvolvam com baixa interferência humana.

Pesquisadores destacam que a preservação desse ambiente também contribui para ampliar os estudos sobre áreas úmidas e sua importância para o equilíbrio ecológico.

Lendas locais aumentam o fascínio pela ilha

Muito antes de despertar o interesse da ciência, El Ojo já fazia parte do imaginário dos moradores da região.

Relatos populares associavam a ilha a acontecimentos inexplicáveis e fenômenos considerados sobrenaturais, o que fez com que o local fosse evitado por muitas pessoas durante anos.

Embora não existam evidências que sustentem essas histórias, elas continuam contribuindo para a fama da misteriosa formação natural.

Mistério permanece sem resposta definitiva

Mesmo após mais de duas décadas desde seu registro por satélites, El Ojo continua cercada de perguntas.

Os pesquisadores ainda buscam compreender exatamente como a ilha se formou, quando começou a girar e quais fatores controlam sua velocidade de deslocamento.