A fé que move montanhas
“A fé, inspiração divina, desperta todos os nobres sentimentos que encaminham o homem para o bem”
“Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: transporta-te daí para ali, e ela se transportaria, e nada vos seria impossível.”
A afirmação de Jesus relatada pelos evangelistas reflete ensinamentos sobre a fé robusta, calma, perseverante, a que cada ser é chamado a cultivar em si mesmo. A verdadeira fé se alia à humildade, à paciência, à confiança em Deus. A fé não elimina as dificuldades da existência, mas oferece coragem para enfrentá-las com esperança e serenidade. A fé sustenta a paciência, e a paciência é uma das expressões da fé.
Envolvido pelos exemplos de Jesus, o espírito encontra forças para vencer as próprias imperfeições e edificar a fé, forjada por meio das experiências vividas, das dores suportadas, das lições aprendidas, do estudo e da vivência do Evangelho. É essa fé que sustenta o espírito nas provações, inspira a paciência diante das dificuldades e fortalece a confiança na justiça e na providência divinas.
Allan Kardec, em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, esclarece que “a fé sincera e verdadeira é sempre calma; faculta a paciência que sabe esperar, porque, tendo seu ponto de apoio na inteligência e na compreensão das coisas, tem a certeza de chegar ao objetivo visado”. Sendo assim, a fé raciocinada compreende o porquê e o para quê das aflições. Ao compreender que as circunstâncias da existência fazem parte do processo de evolução da alma, reconhece-se que elas decorrem de necessidades pelas quais o espírito precisa passar para o seu aprimoramento e representam lições que, em experiências anteriores, ainda não foram plenamente assimiladas. Dessa compreensão fortalecem-se a fé e a paciência, que deixam de ser simples capacidade de esperar e passam a ser uma atitude consciente de confiança diante das dificuldades, sem abdicar do raciocínio e do livre-arbítrio do homem.
A fé, inspiração divina, desperta todos os nobres sentimentos que encaminham o homem para o bem. D. Isabel Salomão de Campos conclui, em uma de suas sábias palavras: “aquele que possui a fé verdadeira enfrenta as dificuldades do mundo e continua amando, aprendendo e servindo”. Assim é o exemplo de Jesus, referencial de amor, de amparo, de roteiro para Deus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”.
*Denise Pereira Rebello – Comunidade Espírita “A Casa do Caminho”
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