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Uma descoberta com bactéria abre caminho para novas pesquisas contra o câncer

Bactéria encontrada em rãs elimina tumores em estudo com camundongos e abre nova esperança contra o câncer.


Por Leticia Florenco

19/07/2026 às 09h02

Uma descoberta com bactéria abre caminho para novas pesquisas contra o câncer

Uma descoberta realizada por pesquisadores do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia do Japão pode representar um importante avanço nas pesquisas sobre tratamentos contra o câncer.

Cientistas identificaram uma bactéria presente no intestino de rãs capaz de eliminar tumores de câncer colorretal em camundongos após uma única aplicação.

Embora os resultados ainda estejam restritos aos testes em animais, o estudo desperta expectativa por apontar uma estratégia inovadora para o desenvolvimento de futuras terapias oncológicas.

Os resultados foram publicados na revista científica Gut Microbes e ainda precisam ser confirmados em estudos clínicos com seres humanos.

Especialistas destacam que essa etapa é essencial para avaliar a segurança e a eficácia da técnica antes que ela possa ser considerada uma alternativa para pacientes.

Pesquisadores analisaram dezenas de bactérias

A investigação teve início com a análise do microbioma de anfíbios e répteis japoneses.

Os cientistas examinaram bactérias presentes no intestino de rãs, salamandras e lagartos, identificando 45 espécies diferentes com potencial interesse científico.

Durante os testes, nove dessas bactérias apresentaram alguma atividade contra células cancerígenas.

No entanto, uma delas chamou atenção pelo desempenho superior: a Ewingella americana, que demonstrou grande capacidade de localizar tumores e agir diretamente sobre eles.

Segundo os pesquisadores, esse comportamento pode representar uma vantagem importante em relação a alguns tratamentos convencionais, que também atingem células saudáveis do organismo.

Bactéria encontrou o tumor e destruiu células cancerígenas

Nos experimentos, a bactéria foi administrada na corrente sanguínea dos camundongos com câncer colorretal.

Após entrar no organismo, ela migrou até o tumor, multiplicou-se no ambiente tumoral e iniciou a destruição das células cancerígenas.

O estudo indica que sua atuação ocorreu de maneira direcionada, concentrando a ação na região afetada.

Essa capacidade de localizar naturalmente o tumor é considerada um dos aspectos mais promissores da pesquisa, pois poderá servir de base para tratamentos mais precisos no futuro.

Sistema imunológico também foi estimulado

Além da ação direta sobre o câncer, os cientistas observaram outro efeito importante.

De acordo com o professor Eijiro Miyako, responsável pela pesquisa, a bactéria estimulou o sistema imunológico dos animais, fazendo com que o próprio organismo continuasse combatendo o tumor após o tratamento.

Em parte dos camundongos, os pesquisadores identificaram uma resposta imunológica duradoura.

Quando novas células cancerígenas foram introduzidas posteriormente, alguns animais apresentaram proteção contra o reaparecimento da doença.

Esse resultado sugere que a bactéria pode atuar não apenas eliminando tumores existentes, mas também fortalecendo os mecanismos naturais de defesa do organismo.

Resultados superaram terapias utilizadas como comparação

Para avaliar o potencial da nova abordagem, os pesquisadores compararam o desempenho da bactéria com medicamentos utilizados em tratamentos de quimioterapia e imunoterapia.

Nos modelos experimentais, a Ewingella americana apresentou resultados superiores na redução dos tumores colorretais avaliados.

Apesar disso, os autores reforçam que a comparação ocorreu exclusivamente em animais de laboratório. A eficácia observada ainda precisará ser confirmada em estudos clínicos antes que qualquer aplicação médica seja considerada.

Próximo passo será testar a segurança em humanos

Embora a descoberta seja considerada promissora, os pesquisadores ressaltam que ainda há um longo caminho até uma possível utilização clínica.

Os próximos estudos deverão verificar se a bactéria é segura para seres humanos, qual a dose ideal, quais efeitos colaterais podem surgir e se os benefícios observados em camundongos também ocorrerão em pacientes.

Somente após a conclusão dessas etapas será possível avaliar o potencial da tecnologia para integrar futuros tratamentos contra o câncer.

Pesquisas poderão avançar para outros tipos de tumores

Além do câncer colorretal, a equipe japonesa pretende investigar se a bactéria também pode atuar contra outras formas da doença.

Entre os principais alvos das próximas pesquisas estão os cânceres de mama e de pâncreas, dois tipos que ainda apresentam grandes desafios terapêuticos.

Caso os resultados sejam confirmados em novos estudos, a descoberta poderá abrir caminho para uma nova geração de terapias biológicas capazes de utilizar microrganismos como aliados no combate ao câncer.