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Cientistas descobrem como o exercício ajuda os músculos a permanecerem fortes com a idade

Estudo revela como o exercício ativa mecanismos que preservam a força muscular e retardam o envelhecimento dos músculos.


Por Leticia Florenco

08/07/2026 às 14h57

Cientistas descobrem como o exercício ajuda os músculos a permanecerem fortes com a idade

A prática regular de exercícios físicos acaba de ganhar mais um importante passo científico.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Duke-NUS Medical School, em colaboração com o Hospital Geral de Singapura e a Universidade de Cardiff, identificou um mecanismo biológico que explica como a atividade física ajuda os músculos a permanecerem fortes mesmo com o avanço da idade.

Publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), a pesquisa mostra que o exercício é capaz de restaurar processos naturais de reparação das células musculares, reduzindo os efeitos do envelhecimento e melhorando a capacidade de regeneração dos tecidos.

A descoberta também pode servir de base para o desenvolvimento de futuras terapias voltadas à prevenção da perda muscular, um dos principais desafios do envelhecimento saudável.

Envelhecimento reduz força e capacidade de recuperação

A perda gradual da massa muscular é considerada um processo natural do envelhecimento.

A partir da meia-idade, o organismo passa a apresentar uma redução progressiva da força, da resistência e da capacidade de recuperação após lesões ou doenças.

Essa redução afeta diretamente a qualidade de vida da população idosa, aumentando o risco de quedas, fraturas, hospitalizações e perda da independência para realizar atividades simples do cotidiano.

Além de sua função no movimento, os músculos exercem papel fundamental no metabolismo, no controle da glicose e na manutenção da saúde geral.

Por isso, preservar sua integridade tornou-se uma das principais prioridades da medicina voltada ao envelhecimento.

Pesquisa revela desequilíbrio nas células musculares

Os cientistas concentraram suas investigações em uma importante via celular conhecida como mTORC1, responsável por controlar o crescimento e a manutenção dos músculos.

Em condições normais, essa via mantém um equilíbrio entre a produção de novas proteínas e a eliminação daquelas que já sofreram danos. No entanto, com o avanço da idade, esse mecanismo deixa de funcionar adequadamente.

Segundo os pesquisadores, a atividade da mTORC1 torna-se excessiva nos músculos envelhecidos.

Como consequência, as células passam a produzir proteínas em ritmo elevado, mas perdem eficiência na remoção das estruturas defeituosas.

Esse acúmulo compromete o funcionamento muscular e contribui para a perda gradual de força observada durante o envelhecimento.

Gene DEAF1 foi identificado como fator decisivo

Um dos principais avanços da pesquisa foi a identificação do gene DEAF1 como um dos responsáveis por esse processo.

Os resultados mostram que os níveis desse gene aumentam conforme os músculos envelhecem. Esse aumento estimula ainda mais a atividade da mTORC1, agravando o desequilíbrio entre produção e eliminação de proteínas.

Em pessoas jovens, o funcionamento do DEAF1 é controlado por proteínas conhecidas como FOXOs.

Entretanto, a atividade dessas proteínas diminui naturalmente com o passar dos anos, permitindo que o gene atue de forma mais intensa e favoreça o desgaste muscular.

Exercício reativa mecanismos naturais de reparação

A pesquisa demonstrou que a prática de exercícios físicos consegue reduzir os níveis de DEAF1, restaurando o equilíbrio celular.

De acordo com os autores, durante a atividade física ocorre a ativação de proteínas capazes de controlar novamente esse gene, permitindo que os músculos eliminem proteínas danificadas e reconstruam seus tecidos de maneira mais eficiente.

Com isso, os músculos recuperam parte de sua capacidade natural de reparação, permanecendo mais fortes, resistentes e funcionais por mais tempo.

Benefícios variam entre os idosos

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores observaram que nem todos os idosos respondem da mesma forma aos exercícios.

Nos casos em que os níveis de DEAF1 já se encontram muito elevados ou a atividade das proteínas FOXO está bastante reduzida, apenas a prática de atividade física pode não ser suficiente para restaurar totalmente o sistema de reparação muscular.

Segundo os cientistas, essa diferença pode explicar por que alguns idosos apresentam ganhos significativos de força após programas de exercícios, enquanto outros evoluem de forma mais lenta.

Resultados foram confirmados em diferentes espécies

Para validar a descoberta, os pesquisadores realizaram experimentos utilizando moscas-das-frutas e camundongos idosos.

Em ambos os modelos, o aumento da atividade do gene DEAF1 acelerou o enfraquecimento muscular. Já sua redução restabeleceu o equilíbrio das proteínas celulares e melhorou a força dos músculos.

A repetição dos resultados em diferentes organismos reforça a importância desse mecanismo biológico e aumenta as perspectivas de aplicação futura em seres humanos.

Descoberta pode beneficiar pacientes além da terceira idade

Os pesquisadores acreditam que os benefícios da descoberta vão além do envelhecimento natural.

O gene DEAF1 também interfere no funcionamento das células-tronco musculares, responsáveis pela regeneração dos tecidos após lesões.

Por isso, futuras terapias poderão auxiliar pessoas em recuperação de cirurgias, doenças graves, tratamentos contra o câncer e outras condições que provocam perda significativa de massa muscular.

A expectativa é que novas pesquisas permitam desenvolver medicamentos capazes de reproduzir parte dos efeitos positivos do exercício diretamente nas células musculares, especialmente para pacientes que apresentam limitações para praticar atividades físicas.