Ouça agora

Com a derrota, Brasil volta ao normal

“Por enquanto, apesar da proximidade das urnas, a cabeça do brasileiro está voltada para o futebol”


Por Tribuna de Minas

07/07/2026 às 08h00

Faltando menos de três meses para o 5 de outubro, dia do primeiro turno das eleições, o povo brasileiro, mesmo que temporariamente, se esqueceu de que vamos escolher aqueles que vão comandar o destino da Nação pelos próximos quatro anos.

Vivemos uma fanática polarização que não traz nenhum benefício ao povo, servindo apenas a interesses eleitoreiros. De um lado está, é preciso reconhecer, um dos maiores políticos que o país já conheceu, disputando um quarto mandato, o que pode ser um recorde mundial. Lula tem seus críticos – a política econômica é ferozmente criticada – , mas as pesquisas apontam que ele, pela liderança popular que construiu ao longo dos anos, pode estar reeleito já no primeiro turno, sem a necessidade da disputa do segundo, marcada para 25 de outubro.

O outro lado, chamado de direita, erroneamente escolheu Flávio Bolsonaro, em detrimento de outros nomes como os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Flávio, um político inexperiente, com algumas manchas no passado – há denúncias contra ele – foi lançado pelo PL apenas por ser filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que domina o partido, como objetivo de manter a polarização e a radicalização da disputa. Até aqui esteve se equilibrando num segundo lugar, representando a direita. Até quando conseguirá manter-se é a expectativa no meio político.

Por enquanto, apesar da proximidade das urnas, a cabeça do brasileiro está voltada para o futebol. No dia 16 de agosto, as campanhas vão para as ruas e é a partir daí que a maioria define o voto. Se a disputa da presidência está radicalizada, mesmo que ainda fria, nos estados está “gelada”. Em Minas, por exemplo, nem as candidaturas estão definidas. Nem Lula, nem Flávio tem palanque confirmado.

O líder das pesquisas, senador Cleitinho (Republicanos), disse que só anunciará sua decisão depois da Copa. O PL aguarda esta definição para decidir uma possível aliança, mesmo podendo ter um candidato próprio competitivo – é o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli. E candidaturas postas mesmo só a do governador Mateus Simões, que, segundo seu marqueteiro Paulo Vasconcelos, vai crescer agora depois dos 100 dias visitando o interior, e de Gabriel Azevedo (MDB), que poderá ser o palanque de Lula no estado.

*Paulo César de Oliveira é jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil

Esse espaço é para a livre circulação de ideias e a Tribuna respeita a pluralidade de opiniões. Os artigos para a seção serão recebidos por e-mail ([email protected]). Para a versão impressa devem ter, no máximo, 30 linhas (de 70 caracteres) com identificação do autor e telefone de contato. O envio da foto é facultativo e pode ser feito pelo mesmo endereço de e-mail.