Caso de estudante morta com mais de cem facadas por namorado entra em segredo de justiça; delegado comenta investigação
Investigado segue preso preventivamente enquanto a Polícia Civil conclui o inquérito
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decretou segredo de justiça no processo que investiga o assassinato da estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, morta com mais de 100 facadas em Barbacena, município do Campo das Vertentes distante cerca de 100 quilômetros de Juiz de Fora. O namorado da vítima, de 25 anos, é apontado pela Polícia Civil como principal suspeito do feminicídio, ocorrido na noite de sábado (27), no Bairro Campo. Ele foi preso em flagrante no domingo (28), em Bom Jardim de Minas, e teve a prisão convertida em preventiva após passar por audiência de custódia.
O delegado regional de Barbacena, Saulo do Prado, responsável pela investigação – que ainda está em andamento, classificou o crime como uma “barbaridade” e destacou a violência que vitimou Letícia, uma mulher de 40 anos, formada em Direito, estudante de Medicina e mãe de dois filhos. Ele também ressaltou a atuação integrada das forças de segurança, que, segundo ele, permitiu a rápida identificação e prisão do suspeito.
“Nossos policiais, investigadores, escrivães, peritos e delegados trabalharam e continuam trabalhando incansavelmente para que esse crime seja levado à Justiça e para que, de alguma forma, a dor da família seja minimizada. Esperamos também que cada vez menos – e, quem sabe, nunca mais – vejamos delitos dessa espécie”, afirmou.

Entenda o caso
Letícia e o namorado foram juntos para o apartamento da vítima na noite anterior ao crime. Na manhã de sábado (27), porém, o homem foi visto deixando o prédio sozinho. O carro da estudante também já não estava na garagem do edifício. Naquele dia, Letícia passou horas sem manter contato com familiares e pessoas próximas – comportamento considerado incomum. Preocupados, amigos tentaram falar com o namorado da vítima, que afirmou, de forma tranquila, não saber onde ela estava.
Ela foi encontrada morta dentro de casa pelo ex-marido, uma amiga e o padrasto que foram até o apartamento preocupados com a mulher e a encontraram morta. Ela apresentava ferimentos feitos à faca na cabeça, nuca, pescoço, costas, orelha e mãos. No documento do processo, o Ministério Público afirma que a vítima foi alvo de um “ataque reiterado, com multiplicidade de golpes desferidos (mais de 100), em contexto de violência doméstica e familiar”.
Segundo a Polícia Militar, o suspeito informou a conhecidos que teria retornado para a casa dos pais, em Carandaí. No entanto, ao ser procurado no endereço, ele não foi localizado. As equipes deram continuidade ao rastreamento e conseguiram prendê-lo durante a madrugada, em Bom Jardim de Minas, no Sul de Minas, a cerca de 180 quilômetros de Barbacena, onde o crime ocorreu.
Com o investigado, foram encontrados os cartões bancários da vítima, o celular, a chave do carro, documentos pessoais e um iPad. O veículo de Letícia também foi localizado estacionado em uma rua próxima à residência do suspeito. Ao ser preso, o homem exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio. Letícia já havia registrado um boletim de ocorrência contra o investigado por difamação, em 2024, e relatado ameaças e crises de ciúmes por parte dele.
Tópicos: Barbacena / feminicídio / pcmg / polícia civil









