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Imóvel de R$ 10 milhões virou pivô de longa batalha judicial entre Richarlison e Flávio Bolsonaro

Mansão de R$ 10 milhões colocou Richarlison, Flávio Bolsonaro e advogado no centro de uma longa disputa judicial.


Por Leticia Florenco

01/07/2026 às 14h06

Imóvel de R$ 10 milhões virou pivô de longa batalha judicial entre Richarlison e Flávio Bolsonaro

Uma mansão de luxo avaliada em cerca de R$ 10 milhões, localizada em Ilha Comprida, na região de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, foi alvo de uma longa disputa judicial que envolveu o atacante da seleção brasileira Richarlison, o senador Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.

O processo se estendeu por vários anos e reuniu diferentes versões sobre a posse do imóvel, além de uma série de recursos apresentados à Justiça.

O caso ganhou repercussão nacional por envolver uma propriedade de alto padrão, situada em uma das regiões mais valorizadas do litoral fluminense, e por colocar em lados opostos um dos principais jogadores do futebol brasileiro e personagens ligados ao meio político e jurídico.

Compra da mansão deu início à história

A negociação começou em 2020, quando Richarlison e seu empresário acertaram a compra da residência.

O imóvel chamou atenção pelas características exclusivas, como a localização privilegiada, acesso por embarcações e uma cachoeira particular dentro da propriedade.

Na mesma época, Flávio Bolsonaro também visitou o local e demonstrou interesse na aquisição.

Segundo relatos apresentados durante o processo, o antigo proprietário informou ao senador que a venda já estava encaminhada para o jogador e que não haveria possibilidade de desfazer o negócio.

Meses depois, Flávio retornou ao imóvel acompanhado do advogado Willer Tomaz. A visita ocorreu após a conclusão da venda, mas, novamente, o proprietário afirmou que a negociação com Richarlison já havia sido finalizada.

Ordem de reintegração surpreendeu moradores

A disputa ganhou novos contornos em maio de 2022, quando a esposa do empresário de Richarlison, que residia temporariamente na mansão durante as obras de reforma, foi surpreendida pela chegada de policiais e de um oficial de Justiça para o cumprimento de uma ordem de reintegração de posse.

A medida havia sido solicitada pela empresa M Locadora, que alegava possuir direitos sobre o imóvel a partir de uma antiga negociação realizada ainda na década de 1980.

A empresa sustentava que a cadeia de posse da propriedade lhe garantia o direito de reivindicar o local, dando início a uma batalha judicial envolvendo documentos antigos, contratos e registros imobiliários.

Antigos negócios ampliaram a disputa

Segundo os autos do processo, a M Locadora teria adquirido a posse do imóvel em 1986 do marido da cantora Clara Nunes e posteriormente revendido esses direitos em 2002.

Anos depois, representantes ligados aos antigos proprietários voltaram a reivindicar a área, alegando que ainda existiam direitos pendentes sobre a propriedade.

A situação tornou o processo complexo, já que diferentes partes apresentaram documentos para comprovar a legitimidade da posse.

Ao longo da ação, a Justiça analisou contratos de compra e venda, registros antigos, pagamentos de tributos e pedidos de liminares apresentados por todos os envolvidos.

Ligação entre advogado e visita ao imóvel chamou atenção

Outro ponto que ganhou destaque foi a participação de Willer Tomaz. O advogado, que havia visitado a mansão ao lado de Flávio Bolsonaro, posteriormente passou a defender direitos sobre o imóvel.

Durante a disputa, foi informado que o advogado da M Locadora era sócio de Tomaz, fato que passou a integrar os argumentos apresentados pelas partes durante o processo.

Em entrevista, Flávio Bolsonaro afirmou que mantinha apenas uma relação de amizade com Willer Tomaz e negou qualquer participação na disputa pela posse da mansão.

Processo teve sucessão de recursos

A disputa judicial se prolongou por anos e foi marcada por sucessivas decisões liminares, recursos e reavaliações da documentação apresentada.

Enquanto a questão permanecia sem definição, a mansão chegou a ser isolada e passou a contar com segurança privada para evitar novos conflitos relacionados à ocupação do imóvel.

Segundo o empresário de Richarlison, o episódio provocou forte impacto emocional na família.

Ele afirmou que sua esposa, grávida na época da reintegração de posse, precisou ser hospitalizada e teve o parto antecipado em razão do nervosismo causado pela situação.

Versões divergentes marcaram o caso

Willer Tomaz sustentou que adquiriu legalmente os direitos possessórios da propriedade junto à M Locadora.

Segundo ele, foram investidos aproximadamente R$ 5 milhões na regularização documental e no pagamento de débitos fiscais relacionados ao imóvel.

Já Richarlison e seu empresário defenderam que a compra da mansão foi realizada de forma regular e que toda a documentação necessária foi apresentada durante o processo para comprovar a aquisição.

Processo foi arquivado

Após anos de tramitação, o processo entrou em fase de arquivamento definitivo. Antes do encerramento, uma das últimas decisões conhecidas foi favorável a Willer Tomaz.

Mesmo com o arquivamento da ação, não houve divulgação oficial sobre quem permaneceu definitivamente na posse da mansão, encerrando uma das disputas imobiliárias envolvendo figuras públicas de maior repercussão nos últimos anos e evidenciando a complexidade de conflitos relacionados à posse e à propriedade de imóveis de alto valor.