Estudo faz alerta para idosos que costumam dormir mais de nove horas
Estudo aponta que idosos que dormem mais de nove horas podem apresentar maior risco de perda de mobilidade ao longo do tempo

Dormir mais de nove horas por noite pode ser um sinal de alerta para a saúde de homens idosos. Um estudo publicado no Journal of the American Medical Directors Association associou esse padrão de sono a uma perda mais acelerada da velocidade da caminhada, importante indicador de mobilidade e do envelhecimento saudável.
Na geriatria, a velocidade da marcha é um dos principais marcadores da capacidade funcional e está associada a maior risco de quedas, hospitalizações, perda da independência, institucionalização e mortalidade.
Idosos dormindo demais
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da University College London e da Universidade Federal de Sergipe (UFS), com apoio da Fapesp, utilizou dados do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), um dos maiores levantamentos sobre envelhecimento do mundo.
Metodologia:
- O estudo acompanhou 3.208 idosos com 60 anos ou mais por oito anos (1.582 homens e 1.626 mulheres).
- Apenas participantes com boa mobilidade inicial (velocidade de caminhada acima de 0,8 m/s) foram incluídos.
- Os grupos foram divididos conforme a duração do sono: até 6 horas, entre mais de 6 e menos de 9 horas, e 9 horas ou mais por noite.
Principais resultados:
- Homens que dormiam 9 horas ou mais tiveram maior redução da velocidade da caminhada, chegando a cerca de 25% em alguns casos.
- A associação permaneceu após ajustes para fatores como idade, doenças, IMC e atividade física.
- Dormir poucas horas ou ter insônia não foi associado à perda de mobilidade nos idosos.
Possíveis explicações:
- O sono prolongado pode reduzir a produção de testosterona e favorecer a perda de massa muscular.
- Outra hipótese é o inflammaging, inflamação crônica do envelhecimento que contribui para a perda de força e mobilidade.
Mulheres e recomendações
No caso das mulheres, os pesquisadores apontam que hormônios como o GH, conhecido como hormônio do crescimento, e o IGF-1 exercem papel mais importante na preservação da massa muscular, o que pode explicar a ausência de associação entre sono prolongado e perda de mobilidade.
Eles destacam, porém, que o estudo é observacional e não comprova relação de causa e efeito. A recomendação para pessoas com 60 anos ou mais continua sendo dormir entre seis e nove horas por noite, enquanto períodos superiores de forma frequente podem justificar investigação médica.









