Número de milionários dispara no Brasil com mais 9,2 mil em um ano
Brasil ganha 9,2 mil milionários em um ano e chega a 386 mil, mas desigualdade segue alta no país.

O Brasil registrou um crescimento no número de milionários em dólar no último ano, consolidando sua posição como principal polo de grandes fortunas na América Latina.
Segundo o Global Wealth Report 2026, do UBS Group AG, o país adicionou 9.215 novos milionários, alcançando cerca de 386 mil pessoas com patrimônio superior a US$ 1 milhão.
Esse avanço ocorre em um cenário de expansão global da riqueza, mas também evidencia que o crescimento não tem sido acompanhado por uma redução da desigualdade patrimonial.
Crescimento acelerado das grandes fortunas
O aumento de milionários no Brasil acompanha uma tendência mundial de forte expansão da riqueza pessoal. Em 2025, houve uma alta de 10,8% na riqueza medida em dólares, marcando o terceiro ano consecutivo de crescimento.
Esse movimento foi impulsionado por fatores combinados, como a valorização dos mercados financeiros, a recuperação e expansão de ativos reais como imóveis, além de mudanças cambiais que favoreceram o aumento do patrimônio quando convertido para dólar.
Também contribuiu o avanço de setores ligados à tecnologia e à inovação, especialmente em economias desenvolvidas.
Brasil mantém liderança na américa latina
Na América Latina, o Brasil segue isolado na liderança em número de milionários, com vantagem sobre o México, que aparece em segundo lugar na região com cerca de 333 mil pessoas nessa faixa de patrimônio.
No ranking global, o país ocupa a 19ª posição, reforçando sua relevância no cenário internacional de geração de riqueza, embora ainda distante das principais economias desenvolvidas.
Riqueza em expansão com desigualdade persistente
Apesar do crescimento no número de milionários, o Brasil continua entre os países com maior concentração de riqueza do mundo. O levantamento aponta o país como o quarto mais desigual entre os 56 mercados analisados.
Esse contraste indica que o avanço patrimonial ocorre de forma concentrada, sem uma distribuição equilibrada entre diferentes camadas da população, o que mantém a desigualdade como uma característica estrutural da economia brasileira.
Expansão global e recordes históricos
O relatório mostra que o crescimento de milionários foi um fenômeno praticamente universal. Pela primeira vez desde o início da série histórica, todos os 56 mercados avaliados registraram aumento no número de milionários.
Em escala global, a população de milionários chegou a cerca de 57,5 milhões de pessoas.
Os Estados Unidos lideram com vantagem, concentrando dezenas de milhões desse total e respondendo por uma parte do crescimento recente.
Esse avanço global representa a adição de quase 1 milhão de novos milionários em apenas um ano, refletindo a força dos mercados financeiros internacionais e a valorização de ativos em diferentes regiões do mundo.
Avanço das faixas intermediárias de riqueza
Além do aumento de milionários, o estudo destaca a expansão das faixas intermediárias de patrimônio.
No Brasil, dezenas de milhares de pessoas já possuem fortunas entre US$ 5 milhões e US$ 100 milhões, indicando a formação de uma camada crescente de alta renda.
Esse movimento também é acompanhado pela migração gradual de indivíduos de faixas mais baixas para níveis superiores de patrimônio, sugerindo um processo de mobilidade econômica ainda lento, mas contínuo.
Fatores que impulsionam a geração de riqueza
Segundo análises do próprio relatório, o crescimento da riqueza está relacionado a transformações estruturais na economia global.
Entre os principais fatores estão o avanço tecnológico, o fortalecimento de mercados financeiros e a valorização de setores estratégicos como energia, infraestrutura e agronegócio.
No caso do Brasil e da América Latina, a abundância de recursos naturais, o peso do agronegócio e o potencial de expansão em energia e minerais estratégicos também contribuem para o aumento das fortunas.
Brasil entre crescimento e desigualdade estrutural
Mesmo com o avanço da riqueza, o Brasil continua enfrentando um cenário de forte concentração patrimonial. Apenas uma pequena parcela da população concentra a maior parte dos ativos financeiros e não financeiros.
Ao mesmo tempo, o número de pessoas com patrimônio muito baixo ainda é elevado, o que mantém o país entre os mais desiguais do mundo em termos de distribuição de riqueza.
Perspectivas para os próximos anos
As projeções indicam que a tendência de crescimento da riqueza deve continuar, especialmente em mercados emergentes como o Brasil.
A combinação de mercado consumidor amplo, recursos naturais estratégicos e potencial de investimento estrangeiro tende a manter o país no radar global.
Mesmo diante de desafios como juros elevados, inflação e incertezas fiscais, o Brasil segue demonstrando capacidade de geração de riqueza, ainda que de forma desigual.









