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Vértebra esquecida por 40 anos em laboratório revela o primeiro dinossauro já identificado na Antártida

Vértebra esquecida por 40 anos revela primeiro dinossauro identificado na Antártida e muda a paleontologia.


Por Leticia Florenco

05/07/2026 às 08h04

Vértebra esquecida por 40 anos em laboratório revela o primeiro dinossauro já identificado na Antártida

Uma vértebra de dinossauro guardada por quase quatro décadas em um acervo científico acabou se tornando uma descoberta histórica para a paleontologia.

O fóssil, encontrado em 1985 durante uma expedição do British Antarctic Survey, foi recentemente reanalisado e identificado como o primeiro dinossauro já descrito oficialmente na Antártida.

O estudo foi publicado na revista Acta Palaeontologica Polonica e aponta que o material pertence a um titanossauro do Cretáceo Superior, com cerca de 82 milhões de anos.

Fóssil ficou esquecido em laboratório por décadas

O material foi coletado na Península Antártica, em camadas da Formação Santa Marta, durante uma expedição voltada inicialmente ao estudo de fósseis de invertebrados.

Durante anos, a peça permaneceu armazenada sem análise detalhada. Apenas recentemente pesquisadores do Natural History Museum e do British Antarctic Survey perceberam que se tratava de um registro paleontológico de grande importância.

Dinossauro era um titanossauro

A vértebra pertence a um titanossauro, grupo de dinossauros herbívoros de pescoço longo conhecidos por incluir alguns dos maiores animais terrestres que já existiram.

Apesar disso, a análise indica que o indivíduo não era gigantesco, podendo ter entre 6 e 7 metros de comprimento, o que sugere um exemplar jovem ou uma espécie de pequeno porte.

Primeiro dinossauro oficialmente descrito na Antártida

Segundo os cientistas, trata-se do primeiro dinossauro formalmente descrito do continente antártico, um marco importante para a paleontologia.

Para o pesquisador Paul Barrett, do Natural History Museum, o fóssil pode parecer simples, mas tem grande relevância por representar a primeira evidência clara de dinossauros na região.

Como o fóssil pode ter se formado

Os pesquisadores levantam a hipótese de que o animal tenha morrido em terra firme e seu corpo tenha sido transportado pela água antes de ser soterrado.

Esse processo explicaria como uma vértebra terrestre acabou preservada em camadas sedimentares da Antártida.

Antártida já teve clima quente e florestas

Durante o Cretáceo, a Antártida fazia parte do supercontinente Gondwana e possuía um clima muito mais quente do que o atual.

O ambiente era formado por florestas temperadas, com condições capazes de sustentar grandes herbívoros e uma biodiversidade muito diferente da atual.

Importância científica da descoberta

O achado ajuda a reconstruir a distribuição dos dinossauros em Gondwana e reforça a ligação entre espécies que viveram em regiões hoje separadas por oceanos.

Os pesquisadores acreditam que novas descobertas podem surgir a partir da reanálise de coleções antigas e de futuras expedições no continente gelado.