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Salas VIP ficam mais distantes após mudanças nos cartões de crédito dos bancos

Bancos aumentam regras e custos de cartões premium, tornando salas VIP menos acessíveis a clientes.


Por Leticia Florenco

30/06/2026 às 08h25

Salas VIP ficam mais distantes após mudanças nos cartões de crédito dos bancos
Airport Waiting Area With Luggages, Empty Seats And Blurred Background

O mercado de cartões de crédito no Brasil passa por uma nova fase de restrição.

Após anos de forte expansão dos chamados cartões premium, grandes bancos começaram a rever regras de acesso a benefícios exclusivos, especialmente às salas VIP em aeroportos, além de aumentar significativamente as anuidades cobradas dos clientes.

A movimentação, segundo reportagem do O Estado de S. Paulo, envolve instituições como Santander, Bradesco, Banco do Brasil e BRB, e já provoca mudanças importantes na forma como o consumidor de alta renda utiliza esses produtos.

Fim da expansão dos benefícios exclusivos

Nos últimos anos, os cartões de alta renda se multiplicaram no país, impulsionados pela disputa entre bancos por clientes com maior poder aquisitivo.

Benefícios como acesso ilimitado a salas VIP, programas de pontos e serviços personalizados se tornaram mais comuns.

No entanto, a superlotação das salas VIP e o aumento dos custos de manutenção desses serviços.

Com isso, bancos passaram a rever a estratégia e adotar critérios mais rígidos para manter a sustentabilidade dos benefícios.

Salas VIP mais disputadas e menos acessíveis

As salas VIP, que antes eram sinônimo de exclusividade, passaram a registrar maior fluxo de passageiros, o que afetou diretamente a experiência oferecida.

Especialistas do setor apontam que a ampliação do acesso, somada à valorização do dólar, que encarece serviços internacionais, pressionou os bancos a restringirem o benefício.

Bancos já aplicam novas regras

As mudanças já começaram a ser implementadas por diferentes instituições financeiras:

Santander

  • Exige gastos de R$ 15 mil a R$ 30 mil em três meses para liberar acesso a salas VIP em determinados cartões
  • Objetivo é limitar o uso excessivo do benefício e preservar a experiência

Bradesco

  • Revisão do cartão Aeternum
  • Redução de acesso via programas internacionais como LoungeKey
  • Manutenção de benefícios em lounges próprios e parceiros específicos

Banco do Brasil

  • Aumento da anuidade do cartão BB Altus de R$ 1,8 mil para cerca de R$ 4 mil

BRB

  • Cartão Dux teve anuidade reajustada de R$ 1.680 para R$ 4.800
  • Regras mais rígidas para isenção e uso das salas VIP

Anuidades sobem e custo-benefício muda

Além das restrições de acesso, o custo dos cartões também aumentou de forma expressiva. Em alguns casos, os reajustes ultrapassam 100%, o que muda completamente a relação entre custo e benefício para o consumidor.

A tendência, segundo analistas, é que os bancos passem a priorizar clientes com maior nível de gasto e relacionamento financeiro mais amplo com a instituição.

Especialistas alertam para avaliação mais criteriosa

Profissionais do setor financeiro recomendam que clientes analisem com mais cuidado se os cartões premium realmente compensam.

Segundo especialistas, muitos consumidores acabam aumentando gastos apenas para atingir metas exigidas pelos bancos, o que pode gerar prejuízo em vez de vantagem.

Outro ponto de atenção é o uso de cartões pouco ativos, mantidos apenas pelos benefícios, sem movimentação financeira suficiente.

Impacto direto para o consumidor

Com as mudanças, usuários de cartões de alta renda devem enfrentar:

  • Maior dificuldade de acesso às salas VIP
  • Aumento das exigências de consumo mensal
  • Reajustes expressivos nas anuidades
  • Revisão do real valor dos benefícios oferecidos

Tendência de mercado

A expectativa do setor é que outras instituições financeiras sigam o mesmo caminho, consolidando um modelo mais restritivo para benefícios premium.

A lógica do mercado passa a ser mais seletiva, priorizando clientes de altíssimo valor e reduzindo a distribuição ampla de vantagens antes consideradas diferenciais competitivos.

O cenário indica o fim de um ciclo de expansão dos benefícios bancários ligados a viagens e conforto em aeroportos.

As salas VIP deixam de ser um benefício amplamente acessível dentro do segmento premium e voltam a se tornar um diferencial mais restrito.