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Empresa supostamente operada por líder religioso recebe R$ 18 milhões de entidade investigada

PF investiga empresa ligada a líder religioso que recebeu R$ 18 milhões de holding suspeita de lavar dinheiro de fraudes no INSS


Por Yasmin Henrique

29/06/2026 às 16h05

Empresa supostamente operada por líder religioso recebe R$ 18 milhões de entidade investigada

A Polícia Federal investiga uma estrutura financeira suspeita de movimentar bilhões de reais por meio de empresas de fachada para ocultar recursos ligados a fraudes no INSS e outros crimes. No centro das apurações está a Arpar Administração, Participação e Empreendimento S.A., apontada como uma holding usada para receber e redistribuir valores entre dezenas de empresas, dificultando o rastreamento das operações.

Entre as beneficiárias está a Isabela V R O Ltda., do Distrito Federal, que, segundo o inquérito, recebeu cerca de R$ 18 milhões da Arpar entre janeiro de 2023 e agosto de 2025. No mesmo período, a empresa movimentou R$ 255,38 milhões, embora tenha capital social declarado de apenas R$ 100 mil.

Empresa investigada

Ligação com líder religioso:

  • Relatório do Coaf aponta que a Isabela V R O Ltda. integra um grupo econômico ligado a Paulo Henrique Venancio da Rocha, diretor de uma unidade da Congregação Cristã no Brasil no Distrito Federal.
  • O documento afirma que diferentes CNPJs operavam em um mesmo coworking e distribuíam o faturamento entre empresas com atividades predominantemente digitais.

Proprietária formal:

  • A empresa está registrada em nome de uma moradora de Valparaíso de Goiás.
  • Apesar da movimentação milionária, ela permaneceu inscrita no Cadastro Único, recebeu R$ 750 do Bolsa Família, trabalhava com salário mínimo e recebeu apenas R$ 20.440 da empresa no período investigado.

A PF identificou transferências entre Paulo Henrique Venancio da Rocha, a Isabela V R O Ltda. e empresas como Dinar, JK Global e Recovery Black. Documentos da CPMI do INSS também apontam que companhias ligadas ao “Careca do INSS” repassaram cerca de R$ 49 milhões à Arpar entre 2023 e 2024.

Segundo a Polícia Federal, há fortes indícios de que a Arpar era utilizada para ocultar a circulação de recursos por meio de sucessivas transferências entre empresas, contratos simulados e outras operações financeiras.  As investigações seguem em andamento e ainda não há decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade criminal dos investigados.