Lugar mais inacessível do planeta onde nenhum ser humano chega serve de cemitério espacial
Local mais isolado do planeta também é usado como cemitério espacial, recebendo equipamentos fora de operação em quedas controladas

No Oceano Pacífico Sul existe um ponto tão distante de áreas habitadas que, em alguns momentos, os seres humanos mais próximos estão no espaço. Conhecido como Ponto Nemo, o local é considerado o mais remoto do planeta e também serve como destino para descarte controlado de equipamentos espaciais.
Localizado nas coordenadas 48°52,6’S e 123°23,6’W, o Ponto Nemo fica a cerca de 2.688 quilômetros das áreas terrestres mais próximas: a Ilha Ducie, nas Ilhas Pitcairn; Motu Nui, próxima à Ilha de Páscoa; e a Ilha Maher, na Antártida. O isolamento extremo resulta em pouca circulação de embarcações e quase nenhuma presença humana permanente.
Cemitério espacial
- Ambiente da região: As correntes oceânicas dificultam a chegada de nutrientes à superfície, tornando o local pobre em recursos e com baixa biodiversidade.
- Cemitério de espaçonaves: O Ponto Nemo é usado para o descarte controlado de equipamentos espaciais fora de operação, como satélites, partes de foguetes, cargueiros e estruturas orbitais.
- Segurança da operação: O isolamento reduz riscos durante a reentrada de grandes estruturas, já que a área fica distante de populações e rotas marítimas. Equipes ajustam a trajetória dos equipamentos para uma queda planejada, com parte do material sendo destruída pelo calor e pelo atrito atmosférico.
- Objetos descartados: A estação espacial soviética Mir, com reentrada controlada em 2001, é um dos casos mais conhecidos. Equipamentos de programas espaciais da Rússia, Estados Unidos, Europa e Japão também foram enviados à região. Estima-se que centenas de objetos tenham sido descartados no local desde a década de 1970, incluindo mais de 260 estruturas até 2016.
Lugar mais inacessível do planeta
O local também está previsto para futuras reentradas controladas, incluindo a Estação Espacial Internacional após o fim de suas operações. Apesar de reduzir riscos à população, especialistas discutem possíveis impactos ambientais e a necessidade de monitoramento dos materiais depositados no oceano.
O nome oficial da região é Polo Oceânico de Inacessibilidade, mas ela ficou conhecida como Ponto Nemo em referência ao Capitão Nemo, personagem de Vinte Mil Léguas Submarinas, de Júlio Verne. O ponto foi identificado em 1992 pelo engenheiro croata Hrvoje Lukatela, por meio de sistemas de geolocalização e modelos computacionais.
(Foto: reprodução/Bezos Expeditions)









