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Com genéricos do Ozempic chegando ao Brasil, médicos esperam que 45% dos pacientes consigam pagar pelo tratamento

Genéricos do Ozempic podem ampliar acesso ao tratamento com GLP-1; médicos estimam alta de 28% para 45% de pacientes aptos


Por Yasmin Henrique

26/06/2026 às 21h33

Com genéricos do Ozempic chegando ao Brasil, médicos esperam que 45% dos pacientes consigam pagar pelo tratamento

Com a chegada de genéricos e similares da semaglutida ao mercado brasileiro, médicos esperam ampliar o acesso aos medicamentos GLP 1, usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. A estimativa é que a parcela de pacientes com condições financeiras para manter a terapia passe de 28% para 45%, caso os preços caiam cerca de 35%.

Após o fim da patente da semaglutida, em março de 2026, a Anvisa aprovou o Ozivy, da EMS, primeira caneta análoga ao Ozempic autorizada no Brasil. Outros cinco medicamentos sintéticos e um biológico seguem em análise. O Ozivy custa entre R$ 452 e R$ 498, enquanto Ozempic e Wegovy variam de R$ 800 a R$ 1.400, conforme a dose.

Adesão ao genérico do Ozempic

Os dados fazem parte da pesquisa “Percepção médica em relação aos medicamentos GLP 1 no Brasil”, realizada pelo IFEPEC, da Febrafar, com 1.067 médicos de todas as regiões do país, ouvidos em maio de 2026. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 3%.

  • Percepção dos médicos: 72% otimistas; 24% neutros; 4% pessimistas.
  • Prescrição: 23% indicariam imediatamente; 36% apenas se confiassem no fabricante; 27% querem conhecer melhor os produtos; 14% preferem esperar.
  • Pacientes: 18% pedem o medicamento no início da consulta; 33% demonstram interesse; 23% perguntam apenas no fim; 26% não mencionam o tema; 7% já usaram GLP 1 sem prescrição.
  • Tratamento: 65% interrompem o uso por questões financeiras.
  • Prescrições: 77% para obesidade e fins estéticos; 23% para diabetes tipo 2.

Benefícios e efeitos colaterais

Além da redução de peso, os medicamentos GLP 1 são associados pelos médicos a benefícios como controle da glicemia, maior saciedade, redução da compulsão alimentar, proteção cardiovascular, melhora do colesterol e triglicerídeos, além de impactos positivos em condições como gordura no fígado, apneia do sono e dores articulares.

Entre os efeitos adversos mais relatados estão sintomas gastrointestinais, como náusea, constipação, vômitos, diarreia, azia e gases. Também aparecem queixas de dor de cabeça, fadiga, tontura e alterações de humor. A longo prazo, os médicos citam possíveis riscos como perda de massa muscular e envelhecimento facial.

(Foto: divulgação/EMS)