Estudo revela que adolescentes de pais que ficam no celular são mais inseguros emocionalmente
Estudo com 600 adolescentes nos EUA associa uso de celular pelos pais a maior insegurança emocional nos filhos e pior vínculo familiar

O uso do celular durante interações familiares passou a ser alvo de estudos sobre saúde mental. Fenômenos como technoference, interferência da tecnologia nas relações, e phubbing, hábito de ignorar alguém para olhar o celular, vêm sendo associados a possíveis impactos no desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes.
Um estudo realizado por pesquisadores dos Estados Unidos analisou justamente essa relação ao avaliar 600 adolescentes entre 12 e 17 anos, com idade média de 14 anos. Os participantes responderam questionários sobre o vínculo com os pais e a frequência com que percebiam os cuidadores distraídos por celulares e outros dispositivos eletrônicos.
Uso dos celulares pelos pais
Os autores criaram a Escala de Interferência do Dispositivo no Apego (DAIS) para avaliar como adolescentes percebem o impacto do uso de telas na relação familiar, especialmente em situações de menor atenção ou disponibilidade emocional dos pais.
Os resultados apontaram associação entre maior percepção de distração dos pais e níveis mais altos de apego inseguro, tanto materno quanto paterno. Ainda assim, os pesquisadores destacam que o estudo identifica apenas correlação, sem comprovar relação de causa direta.
O estudo também destaca limitações, por ser transversal e baseado em autorrelatos, o que impede estabelecer causa direta, levando os pesquisadores a defender investigações de longo prazo para melhor compreender o impacto do uso de telas nas relações familiares.
Mais estudos
O trabalho se soma a uma série de pesquisas sobre o tema:
Distração dos pais com celular:
- Em 2020, 68% dos pais relataram se sentir distraídos pelo celular durante o tempo com os filhos.
- Em 2024, 47% dos pais admitiram o uso excessivo do smartphone.
- Em 2024, 46% dos adolescentes disseram que os pais se distraem com o celular durante conversas.
Impactos:
- Revisão de 13 pesquisas associou a distração digital dos pais a pior saúde mental dos adolescentes e mais comportamentos agressivos.
- Estudo com 495 adolescentes ligou o “phubbing” parental a pior qualidade do vínculo familiar e uso problemático da internet.
- Pesquisa com 1.303 pré-adolescentes relacionou a percepção de distração dos pais a mais hiperatividade, desatenção e sintomas de ansiedade ao longo do tempo.









