Menino de JF impressiona com memória sobre futebol e sonha em ser comentarista esportivo
Daniel Caetano faz palpites, análises e conta com apoio da mãe Sheila na produção de vídeos para as redes sociais
Enquanto muitas pessoas consultam aplicativos para conferir resultados ou tentam lembrar quem venceu cada Copa do Mundo, Daniel Caetano, de apenas 9 anos, responde sem hesitar. Ele sabe os campeões de todas as edições do torneio, recorda placares, artilheiros, campanhas históricas e consegue apontar quais seleções marcaram mais ou menos gols na atual Copa do Mundo em questões de segundos. O que para muitos é apenas um campeonato disputado de quatro em quatro anos, para ele se transformou em um universo de pesquisa diária, análises e produção de conteúdo.
Morador do Bairro São Mateus, Zona Sul de Juiz de Fora, Daniel é autista nível 1 de suporte e encontrou no futebol – especialmente na Copa do Mundo – um dos seus principais hiperfocos: Ele passa horas conectando informações sobre seleções, países, bandeiras e história, construindo um repertório que impressiona até os adultos mais apaixonados pelo esporte.
“Comecei a gostar de futebol quando estava no segundo período da escola. Já no primeiro ano, comecei a pesquisar mais sobre o esporte e fui me interessando cada vez mais pelo assunto”, conta.

Hoje, a Copa do Mundo ocupa um lugar especial entre seus interesses. Entre os jogos que mais gostou de acompanhar nesta edição estão Canadá x Catar, Alemanha x Curaçao e Brasil x Escócia, pela grande quantidade de gols.
“Gostei bastante da última partida Foi o jogo em que a seleção pareceu jogar melhor e mostrou mais vontade dentro de campo”, pondera.
O conhecimento acumulado faz com que Daniel acompanhe o torneio quase como um comentarista profissional, por meio do Instagram @futcomdani. Ele já analisa confrontos futuros, aponta favoritos e identifica possíveis surpresas. Para ele, a Espanha surge como uma das principais candidatas ao título. “Apostaria em uma final entre Espanha e Portugal”, diz.
Já sobre a Seleção Brasileira, mantém uma visão cautelosa. “O Japão é uma seleção forte. Se o Brasil perder, não vai me surpreender”, defende.

A paixão pelo futebol, no entanto, não surgiu do nada. Segundo a mãe, Sheila Caetano, professora de educação infantil e psicopedagoga, os hiperfocos sempre fizeram parte da vida do filho. Antes da Copa, vieram os números, a “Turma da Mônica”, o desenho “Pokémon” e os países.
“O Daniel sempre teve hiperfocos muito marcantes. Quando era bem pequeno, começou a ler antes de completar um ano e a escrever aos três, durante a pandemia. Naquela época, o grande interesse dele eram os números”, relembra.
O interesse pelos países acabou sendo a ponte para o futebol. Tudo começou com um atlas encontrado em casa. Daniel passou a se encantar por mapas, bandeiras, capitais e continentes. Aos poucos, as informações geográficas se encontraram com as seleções nacionais e os torneios internacionais.
O fascínio pelos dados permanece até hoje. Embora acompanhe partidas, Daniel gosta especialmente dos bastidores estatísticos do esporte. “Para aprender mais sobre futebol, pesquiso bastante no Google. Também acompanho resultados e estatísticas, mas gosto mais de analisar os placares e o desempenho das equipes”, argumenta.

Foi justamente esse hábito que acabou ultrapassando os limites da sala de casa e chegando às mídias sociais. Desde pequeno, Daniel dizia que queria ter um canal para falar sobre futebol. A ideia ficou guardada até este ano, quando a mãe decidiu publicar alguns vídeos produzidos por ele.
“No feriado de Corpus Christi, decidi editar um dos vídeos dele para ver o que aconteceria. O resultado foi uma surpresa. O vídeo teve uma repercussão muito maior do que imaginávamos”, conta Sheila.
Nas gravações, feitas com um celular apoiado em um tripé, Daniel comenta resultados, faz análises e arrisca previsões para os jogos. “Acho engraçado porque quase sempre erro todos os palpites. Isso acaba divertindo quem acompanha”, brinca o garoto, com sorriso no rosto.
A espontaneidade ajudou a atrair seguidores. Alguns vídeos já ultrapassaram mil visualizações e renderam convites para entrevistas. Para Sheila, porém, o mais importante não são os números. “Como mãe, sinto muito orgulho. O mais bonito não é apenas o interesse pelo futebol, mas a determinação que ele demonstra. O Daniel já fala sobre sonhos, profissão e futuro”, afirma.
E os planos já estão traçados. Torcedor do Fluminense, admirador de Cristiano Ronaldo e frequentador assíduo das transmissões da CazéTV, Daniel sonha em transformar a paixão pelo futebol em profissão. “Vou trabalhar como comentarista esportivo. Meu sonho é atuar na televisão”, finaliza.
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