Fabricante do Ozempic vai à Justiça para tirar do mercado o concorrente nacional da semaglutida

Disputa entre Novo Nordisk e EMS envolve marca de novo remédio com semaglutida semelhante ao Ozempic após fim da patente


Por Yasmin Henrique

25/06/2026 às 17h32

Fabricante do Ozempic vai à Justiça para tirar do mercado o concorrente nacional da semaglutida
(Foto: reprodução/Haberdoedas/Unsplash/edição/Canva AI)

A chegada de novas terapias com semaglutida ao mercado brasileiro ampliou a disputa entre farmacêuticas, envolvendo tanto a concorrência por tratamentos quanto a proteção de marcas. Nesse cenário, Novo Nordisk e EMS passaram a disputar judicialmente o registro do nome Ozivy, escolhido pela empresa brasileira para seu medicamento.

A versão da EMS foi aprovada pela Anvisa em maio de 2026 para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 sem controle adequado, associado a hábitos saudáveis. Apesar de utilizar a semaglutida, mesmo princípio ativo do Ozempic, da Novo Nordisk, o produto foi registrado como uma versão sintética análoga ao medicamento biológico original.

Briga com a fabricante do Ozempic

Disputa pela marca Ozivy

  • A ação judicial envolve o registro da marca, e não o princípio ativo semaglutida.
  • A Novo Nordisk acionou a EMS e o INPI para tentar anular o registro do nome Ozivy.
  • A farmacêutica dinamarquesa argumenta que há semelhança com marcas consolidadas, como Ozempic e Wegovy.
  • A empresa afirma que a proximidade dos nomes poderia causar associação indevida pelos consumidores.
  • A EMS defende a validade do registro concedido pelo INPI e afirma que o produto possui identidade própria.

Fim da patente e novos concorrentes

  • A disputa ocorre após a expiração da patente da semaglutida no Brasil, em março de 2026.
  • O fim da proteção patentária abriu espaço para a entrada de novos medicamentos no segmento.
  • O Ozivy foi o primeiro medicamento de semaglutida sintética aprovado pela Anvisa após a perda da exclusividade.
  • Outros pedidos de versões sintéticas e biológicas da substância seguem em análise pela agência reguladora.

Diferenças regulatórias no SUS

Apesar de utilizarem o mesmo princípio ativo, Ozivy e Ozempic possuem diferenças regulatórias. O medicamento da EMS não é considerado genérico, já que medicamentos biológicos não seguem esse modelo tradicional de substituição. A Anvisa avalia esses produtos considerando critérios específicos de segurança, eficácia e qualidade, devido às diferenças nos processos de fabricação.

O movimento também ocorre em meio ao debate sobre o acesso a medicamentos de alto custo no Brasil, já que a inclusão dessas terapias no SUS depende de análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).