Cidade começa a distribuir sensor de glicose de graça para crianças com diabetes tipo 1

Sensor de monitoramento contínuo de glicose passa a ser oferecida gratuitamente a crianças com diabetes tipo 1, com foco no controle da doença


Por Yasmin Henrique

25/06/2026 às 16h05

Cidade começa a distribuir sensor de glicose de graça para crianças com diabetes tipo 1
(Foto: reprodução/Pavel Danilyuk/Pexels)

A distribuição gratuita de sensores de monitoramento contínuo de glicose para crianças com diabetes tipo 1 pela Prefeitura de São Paulo chama atenção para o acesso a tecnologias de saúde no SUS. Embora o diabetes esteja entre as doenças crônicas mais comuns do país, os sensores ainda não fazem parte da política nacional da rede pública.

A distribuição na cidade de São Paulo começou oficialmente em 18 de junho de 2026 e beneficiará, nesta primeira etapa, 1.584 crianças entre 2 e 12 anos atendidas pela rede municipal de saúde. A medida foi criada pela Lei nº 18.306/2025 e prioriza famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). 

Sensor de glicose em SP

Aquisição e custo

  • 9 mil sensores adquiridos para a primeira fase.
  • Troca dos dispositivos a cada 15 dias.
  • Reposição feita pelas UBSs.
  • Custo estimado de R$ 770 por mês por paciente.

Como funciona

  • Monitoramento contínuo da glicose durante dia e noite.
  • Identificação rápida de episódios de hipoglicemia e hiperglicemia.
  • Redução da necessidade de medições por punção no dedo.
  • Crianças de 2 a 9 anos recebem leitor específico.
  • Crianças de 10 a 12 anos acompanham os dados por aplicativo com alertas em tempo real.

Capacitação

  • Treinamento de 511 profissionais da rede municipal.
  • Participação das cinco Coordenadorias Regionais de Saúde.

Impacto esperado

  • Redução de atendimentos de emergência.
  • Diminuição de internações relacionadas ao diabetes.
  • Prevenção de complicações renais, oftalmológicas e cardiovasculares.
  • Maior controle glicêmico e qualidade de vida para os pacientes.

Diabetes tipo 1 no Brasil

Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), o Brasil tem cerca de 499 mil pessoas com diabetes tipo 1, incluindo aproximadamente 99 mil crianças e adolescentes. Especialistas avaliam que o monitoramento contínuo pode melhorar o controle clínico e reduzir custos. Os gastos com diabetes no país ultrapassam US$ 45 bilhões por ano, segundo a IDF, considerando tratamento e complicações.

Embora o SUS forneça insulinas, seringas, canetas aplicadoras e fitas reagentes, os sensores de monitoramento contínuo ainda não integram a política nacional. Em 2025, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar a tecnologia após análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).