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Especialistas alertam para risco oculto de quem toma vários suplementos ao mesmo tempo sem orientação médica

Especialistas alertam para riscos do uso excessivo de suplementos sem orientação médica e possíveis danos ao organismo.


Por Leticia Florenco

23/06/2026 às 08h25

Especialistas alertam para risco oculto de quem toma vários suplementos ao mesmo tempo sem orientação médica
(Foto: Freepik)

O consumo de suplementos alimentares vem crescendo de forma acelerada em diversos países e já faz parte da rotina de grande parte da população.

No entanto, especialistas em nutrição e medicina têm alertado para um risco cada vez mais comum: o uso simultâneo de diferentes vitaminas, minerais e compostos sem acompanhamento profissional, o que pode provocar efeitos adversos importantes à saúde.

Crescimento do consumo preocupa profissionais

Uma pesquisa recente sobre hábitos de saúde aponta que a maioria dos adultos já utiliza ao menos um tipo de suplemento regularmente, como vitaminas, minerais, probióticos ou fórmulas combinadas.

Entre esses consumidores, uma parcela significativa relata o uso de quatro ou mais produtos por dia.

Para especialistas, o cenário reflete uma mudança de comportamento impulsionada por redes sociais, marketing digital e pela busca constante por desempenho físico, imunidade elevada e envelhecimento saudável.

“Mais nem sempre é melhor”, alertam médicos

Profissionais da área médica afirmam que a ideia de que o consumo elevado de suplementos traz mais benefícios é um equívoco comum.

De acordo com especialistas, o organismo possui limites de absorção e processamento de nutrientes. Quando essas quantidades são ultrapassadas, o excesso pode se acumular e causar prejuízos, especialmente ao fígado e aos rins.

Entre os principais riscos associados ao uso descontrolado estão:

  • Sobrecarga hepática
  • Alterações renais
  • Distúrbios gastrointestinais
  • Excesso de vitaminas no organismo
  • Interações com medicamentos de uso contínuo

Casos clínicos chamam atenção

Médicos relatam aumento de pacientes com problemas associados ao uso combinado de suplementos, muitas vezes sem que o próprio paciente perceba a relação entre os sintomas e os produtos consumidos.

Entre os casos observados estão alterações no fígado relacionadas a suplementos de origem vegetal e situações de formação de cálculos renais associadas ao consumo elevado de vitaminas e compostos isolados.

Segundo especialistas, a dificuldade de diagnóstico ocorre porque muitos pacientes não informam o uso completo de suplementos durante as consultas médicas.

Risco de combinações e duplicidade de nutrientes

Outro ponto de preocupação é a combinação de diferentes produtos que contêm os mesmos nutrientes.

A ingestão simultânea de multivitamínicos com suplementos isolados pode levar à duplicação de doses, ultrapassando níveis considerados seguros. Em alguns casos, isso pode resultar em:

  • Sobrecarga de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K)
  • Excesso de minerais como ferro e cálcio
  • Redução da absorção entre nutrientes concorrentes
  • Possíveis efeitos neurológicos em casos prolongados

Influência digital impulsiona consumo

Especialistas também apontam o papel das redes sociais na expansão do uso de suplementos.

Conteúdos que prometem melhora rápida de energia, imunidade e estética corporal têm influenciado especialmente o público jovem.

A publicidade indireta feita por influenciadores digitais contribui, segundo profissionais da área, para a automedicação e para o uso sem avaliação individual.

Alimentação segue sendo base da saúde

Nutricionistas reforçam que suplementos não devem substituir uma alimentação equilibrada. Frutas, legumes, proteínas e grãos continuam sendo as principais fontes de nutrientes necessários ao organismo.

O uso de suplementos, segundo especialistas, deve ser restrito a situações específicas, como deficiências comprovadas ou recomendações médicas pontuais.

Orientação profissional é fundamental

A recomendação geral de médicos e nutricionistas é que qualquer suplementação seja feita com base em exames clínicos e acompanhamento profissional.

Os especialistas alertam ainda que o uso contínuo e não supervisionado pode mascarar problemas de saúde e dificultar diagnósticos futuros.