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Único brasileiro convocado a depor nos EUA diz que Pix está ajudando empresas americanas

Pix vira tema de debate nos EUA, e economista brasileiro defende que sistema beneficia empresas americanas.


Por Leticia Florenco

22/06/2026 às 21h02

Único brasileiro convocado a depor nos EUA diz que Pix está ajudando empresas americanas
Foto: Agência Brasil

O Pix, principal sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, tornou-se um dos assuntos centrais de uma investigação comercial conduzida pelo governo dos Estados Unidos.

Em meio à possibilidade de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, o economista Gustavo Sampaio, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), será o único representante brasileiro a participar da audiência pública marcada para 6 de julho, em Washington.

A participação ocorre em um momento de crescente tensão comercial entre os dois países, com autoridades norte-americanas analisando possíveis impactos do sistema brasileiro sobre empresas internacionais do setor financeiro.

Economista pretende rebater críticas ao sistema brasileiro

Durante a audiência, Gustavo Sampaio pretende apresentar argumentos técnicos para contestar a visão de que o Pix prejudica empresas de pagamento dos Estados Unidos.

Segundo ele, o sistema atua como uma infraestrutura financeira que amplia a inclusão bancária e impulsiona o desenvolvimento econômico.

Na avaliação do professor, o Pix não representa uma ameaça ao mercado internacional. Pelo contrário, o aumento da bancarização e do acesso a serviços financeiros cria oportunidades para empresas brasileiras e estrangeiras, incluindo companhias americanas que operam no país.

A defesa do especialista é baseada na ideia de que o crescimento do sistema estimula a circulação de recursos, fortalece o comércio eletrônico e amplia a oferta de serviços financeiros para milhões de consumidores.

Bancarização impulsiona novos negócios

Desde sua criação, o Pix transformou a forma como os brasileiros realizam pagamentos e transferências.

A facilidade de uso e a gratuidade das operações contribuíram para que milhões de pessoas passassem a utilizar serviços bancários regularmente.

Especialistas apontam que esse processo de inclusão financeira gera reflexos positivos em toda a economia.

Com mais consumidores inseridos no sistema bancário, aumenta também a procura por crédito, financiamentos, cartões e outros produtos financeiros.

Para Sampaio, esse movimento beneficia não apenas instituições nacionais, mas também empresas estrangeiras que oferecem serviços financeiros ou realizam negócios no mercado brasileiro.

Dados mostram expansão do mercado de pagamentos

Levantamentos do Banco Central indicam que o mercado de pagamentos continua crescendo mesmo após a consolidação do Pix.

O volume total de transações registrou avanço significativo nos últimos anos, demonstrando que a digitalização financeira segue em expansão.

Os números mostram ainda que o uso de cartões de crédito também apresentou crescimento, contrariando a percepção de que o Pix substituiria completamente os meios tradicionais de pagamento.

A análise reforça a avaliação de que o sistema funciona como uma porta de entrada para o universo financeiro, ampliando o acesso da população a diferentes serviços bancários.

Investigação americana cita empresas do setor financeiro

A investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) tem como base preocupações relacionadas à concorrência no mercado de pagamentos.

Documentos divulgados pelas autoridades norte-americanas mencionam o impacto do Pix sobre empresas internacionais que atuam no Brasil, especialmente operadoras de cartões e processadoras de pagamentos.

O crescimento acelerado da ferramenta brasileira despertou atenção em diversos mercados, transformando o país em uma referência global no segmento de pagamentos instantâneos.

Falta de transparência também entra no debate

Apesar de defender o sistema, Gustavo Sampaio reconhece que parte das dúvidas levantadas no exterior está relacionada à transparência sobre o funcionamento e a gestão do Pix.

Segundo ele, a rápida expansão da plataforma exigiu adaptações constantes por parte do Banco Central, o que pode ter contribuído para o surgimento de questionamentos por parte de agentes do mercado.

O economista avalia que uma comunicação mais ampla e detalhada sobre as regras de operação pode ajudar a reduzir incertezas e fortalecer a confiança dos investidores.

Governo brasileiro acompanha cenário com preocupação

Nos bastidores, integrantes do governo federal acompanham de perto os desdobramentos da investigação norte-americana.

A avaliação é que as chances de aplicação das tarifas permanecem elevadas, enquanto as negociações avançam lentamente.

Autoridades brasileiras têm contestado as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e defendem que o Pix é uma ferramenta de modernização financeira que promove concorrência e eficiência no mercado.

A discussão ocorre em um contexto mais amplo de relações comerciais entre os dois países, envolvendo temas econômicos, regulatórios e tecnológicos.

Audiência pode influenciar decisão final

A audiência pública prevista para julho representa uma das etapas mais importantes da investigação.

Especialistas, representantes do setor privado e demais interessados poderão apresentar argumentos e documentos para subsidiar a decisão das autoridades norte-americanas.

As manifestações enviadas ao USTR serão analisadas antes da definição sobre a possível adoção de tarifas contra produtos brasileiros.

Enquanto isso, o Pix segue no centro de um debate do sistema financeiro e alcança questões relacionadas ao comércio internacional, inovação tecnológica e competitividade econômica.