Vereador é alvo de processo de cassação após comentário sexual sobre servidora e chamar outra de ‘boazuda’
Comissão Processante da Câmara tem 90 dias para apurar os fatos e apresentar relatório final
A Câmara Municipal de Piraúba – cidade da Zona da Mata a cerca de 80 quilômetros de Juiz de Fora – abriu, na segunda-feira (15), um processo de cassação contra o vereador Josmar Xavier (PSD), por quebra de decoro parlamentar, assédio, misoginia, intimidação funcional e abuso da condição de agente político.
A denúncia, oferecida por um eleitor da cidade, descreve o primeiro caso, com assédio, exposição vexatória e violação da intimidade de uma servidora, auxiliar de serviços gerais. Ela seria portadora de uma condição odontológica específica, tendo um dente no céu da boca. A informação chegou ao denunciado enquanto ele era presidente da Câmara e teve acesso a um atestado.
“Segundo os relatos colhidos, ao final de sua gestão como Presidente, o denunciado, no ambiente da Câmara Municipal, em voz alta e diante de vereadores e servidores, fez comentário de conotação sexual, misógino e humilhante contra a servidora, afirmando, em síntese, que já saberia por que o marido dela não a deixaria, insinuando que o seu ‘diferencial’ seria a prática de sexo oral, em razão da referida condição odontológica”, diz a denúncia.
No segundo caso, o documento cita assédio, intimidação e ameaças contra a procuradora da Câmara. Inicialmente, ao perceber o ganho de peso da servidora, ele teria comparado a aparência dela, quando chegou na Câmara, em 2025, com um “cabo de vassoura”, e que, em 2026, ela estaria “boazuda”. O comentário teria sido feito em ambiente institucional, na sala da servidora ofendida, quando os dois estavam sozinhos.
Posteriormente, o denunciado teria passado a encaminhar mensagens e áudios à procuradora, com conteúdo ofensivo, agressivo e intimidatório, “aparentemente em retaliação à atuação técnica da Procuradoria e à priorização, pelo órgão jurídico, das demandas institucionais da Câmara Municipal”.
“Em episódio específico, o denunciado teria cobrado, em tom agressivo, a elaboração de projeto de lei em prazo manifestamente exíguo, alegando ter solicitado a providência há muito tempo, quando, em verdade, a demanda fora formalizada apenas na quarta-feira, com cobrança ríspida e reiterada já na quinta-feira da mesma semana”, prossegue.
E, em vez de apresentar à Procuradoria o objeto, a finalidade, a justificativa e os parâmetros mínimos da proposição que pretendia apresentar, o denunciado teria se limitado a encaminhar um vídeo, para que a Procuradora o assistisse e transformasse o conteúdo em minuta normativa.
Os relatos ainda indicam uma ameaça: o denunciado teria dito para a Diretora Geral que, “quando voltar a ser Presidente”, dispensará a Procuradora, por ela não atender às suas vontades.
A diretora da Câmara também teria sido alvo de um comentário inapropriado. Após ela retornar de uma viagem no Carnaval, e, por estar solteira, o denunciado teria falado publicamente, em tom de deboche, sobre sua vida íntima, questionando-a, insistentemente, se teria “dado um tapa na gata”, referindo-se à prática de relações sexuais durante a viagem.
A presidenta da Câmara de Piraúba, Simone Alvim, instaurou uma Comissão Processante para apurar os fatos, composta por ela como presidente, mais um relator e um membro. O prazo para apresentação do relatório final não pode ultrapassar 90 dias.
A Tribuna entrou em contato com o vereador, abrindo espaço para um posicionamento. A matéria será atualizada caso haja retorno.
Tópicos: assédio / Josmar Xavier / Piraúba









