Carta de indignação

“Desejo sinceramente que o legado educacional construído ao longo de décadas não desapareça”


Por José Ricardo Grunewald Zarantoneli*

18/06/2026 às 08h00

Hoje, escrevo tomado por um profundo sentimento de tristeza, indignação e nostalgia diante do leilão do tradicional Instituto Vianna Júnior, em Juiz de Fora. Foi naquela instituição que recebi parte fundamental da minha formação humana, pessoal e profissional.

Ali, aprendi valores, disciplina, respeito, convivência e princípios que ajudaram a moldar o cidadão e o profissional que sou hoje. O Vianna Júnior não foi apenas uma escola ou faculdade. Foi um verdadeiro educandário formador de gerações, patrimônio moral e educacional de nossa cidade.

Ver uma instituição tão respeitada chegar ao ponto de ser leiloada causa dor em todos aqueles que conhecem sua história e sua importância para Juiz de Fora e para Minas Gerais. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o processo ocorreu em razão da recuperação judicial iniciada em 2023, culminando recentemente no leilão da marca, dos cursos, do acervo acadêmico e da carteira de alunos da instituição. O arremate foi realizado por cerca de R$ 3,8 milhões, conforme noticiado pela Tribuna de Minas.

Naturalmente, fica no coração e na consciência de muitos ex-alunos, professores, funcionários e famílias uma inevitável interrogação: onde erramos? O que deixou de ser feito? Como uma instituição com tamanho legado histórico, educacional e social chegou a uma situação tão extrema?

Não escrevo estas palavras para apontar culpados de forma irresponsável, mas para registrar publicamente o sentimento de milhares de pessoas que tiveram suas vidas transformadas pelo Vianna Júnior e que hoje assistem, com enorme pesar, a um capítulo tão doloroso de sua história.

Mesmo diante deste cenário, desejo sinceramente que o legado educacional construído ao longo de décadas não desapareça. Que a memória, os valores e a missão do Vianna Júnior permaneçam vivos na vida de todos aqueles que passaram por seus corredores e tiveram o privilégio de ali estudar.

Minha solidariedade aos professores, funcionários, alunos, ex-alunos e a todos que, assim como eu, sentem hoje um pedaço importante da história de Juiz de Fora se entristecer profundamente.

*José Ricardo Grunewald Zarantoneli é Coronel PM Veterano

 

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