Fã de Diniz, técnico juiz-forano João Proba defende estudos na área para um ‘futebol bonito’
Em entrevista ao Dá Jogo, profissional comenta sua filosofia de jogo, a situação dos clubes de Juiz de Fora e os desafios da Seleção Brasileira na Copa do Mundo
O programa ”Dá Jogo” recebeu nessa quarta-feira (17), o técnico de futebol e personal soccer João Proba. Profissional com passagens por Uberabinha, Villa Real, e, atualmente, no Centro de Futebol Zico, o juiz-forano falou de sua formação, estudos, tática e do cenário do esporte em Juiz de Fora. Analisou, também, o trabalho de Carlo Ancelotti e as projeções do Brasil para a Copa do Mundo.
Confira a entrevista na íntegra
Tribuna de Minas: Como foi o seu início no esporte e a trajetória como jogador?
João Proba: Comecei em Juiz de Fora, no Dom Pedro, com o Paulo Henrique Toledo, filho do grande Moacyr Toledo, do Tupi. Depois fui para o Sport, joguei um tempo no Nacional de Muriaé, tive passagem pelo Cruzeiro e também pelo Atlético. Só que eu não vinguei tanto porque era um pouco preguiçoso para correr, gostava mais de fazer a bola correr. Joguei também com o Sérgio Moraes no Clube Bom Pastor, outra grande lenda de Juiz de Fora. Meu pai também foi jogador, atuou pelo Tombense, então segui esse caminho. Depois fiz Educação Física na Faefid (Faculdade de Educação Física e Desportos), da UFJF, e comecei a construir minha carreira no futebol.
Tribuna: Falando de Viçosa, como você vê o cenário da educação física e da formação de treinadores?
João: É importante conciliar a prática com o conhecimento. Durante muito tempo tivemos muitos treinadores mais informais, aquele treinador de beira de campo, e hoje temos uma geração que busca estudar mais o jogo. Na UFV tive professores como Felipe Cardoso, Israel Teoldo e Próspero Paoli, que foram referências para mim. São profissionais que sabem muito do esporte. Os cursos da CBF também são muito importantes. Aqui em Juiz de Fora temos excelentes profissionais e iniciativas. Esses cursos não formam apenas treinadores, mas ajudam a entender pessoas, gerir grupos e desenvolver atletas.

Tribuna: Como você avalia o cenário atual do esporte de Juiz de Fora?
João: Eu acho que o futebol de Juiz de Fora sente falta daqueles jogos no estádio. Cresci indo ao estádio com meu pai para ver o Tupi jogar contra Cruzeiro e Atlético, e isso inspirava as pessoas. Hoje não temos mais isso. O Tupi desistiu de participar do Mineiro, enfrenta dificuldades financeiras. Eu vi de perto os desafios do futebol local. A logística é complicada e muitas vezes faltam recursos. Por outro lado, a cidade tem profissionais qualificados, boas estruturas e projetos importantes em diversas modalidades. O que falta é investimento de longo prazo, planejamento e uma estrutura organizada para potencializar atletas e profissionais.
Tribuna: E na parte tática? Como você define sua filosofia de jogo?
João: Sou muito fã do Fernando Diniz. Muita gente me compara a ele, embora eu tenha algumas diferenças e também algumas críticas ao trabalho dele. Minha ideia é ter a posse de bola o máximo possível, jogar com os atletas próximos uns dos outros e pressionar rapidamente quando perde a bola. Gosto de um futebol com coragem, alegria e autonomia para os jogadores. Ao mesmo tempo, acredito que o treinador precisa adaptar suas ideias à realidade que tem. Você precisa fazer o melhor com a estrutura e os jogadores disponíveis.
Tribuna: É possível implementar esse estilo mesmo sem uma grande estrutura?
João: Sim. Em todos os clubes por onde passei procurei fazer isso. Claro que existem limitações de elenco, estrutura e tempo de treino, mas sempre tentei construir uma identidade de jogo. No Uberabinha, por exemplo, buscamos fazer um futebol propositivo, com posse de bola e organização. Acho que conseguimos apresentar uma proposta interessante dentro das condições que tínhamos.
Tribuna: Como você vê o trabalho de Carlo Ancelotti na Seleção Brasileira?
João: O Ancelotti dispensa comentários. É um treinador que ganhou tudo no futebol. Mas acredito que a Seleção precisa ser menos reativa em determinados momentos. Contra o Marrocos, por exemplo, achei que o Brasil poderia ter pressionado mais no segundo tempo. Em uma Copa do Mundo, cada jogo pede uma estratégia diferente, e é importante saber interpretar esses momentos.
Tribuna: Existe caminho para ser campeão do mundo jogando de forma mais reativa?
João: Existe, porque a Copa é um torneio muito curto. Mas o Brasil precisa potencializar suas transições ofensivas e encontrar alternativas para não depender tanto do Vinícius Júnior. O treinador precisa sentir o jogo e entender quando é hora de baixar as linhas e quando é hora de pressionar mais. O futebol de seleções exige essa adaptação constante.
Tribuna: Qual a importância da liderança dentro de um grupo de seleção?
João: É fundamental. Jogadores mais experientes ajudam os mais jovens a lidar com a pressão. Um atleta como o Danilo, por exemplo, transmite confiança, experiência e tranquilidade. Muitas vezes um conselho ou uma conversa dentro do vestiário faz diferença para um garoto que está disputando a primeira Copa do Mundo. Liderança é algo muito importante tanto dentro quanto fora de campo.
Tribuna: O que você espera da Seleção Brasileira contra o Haiti?
João: Acredito que o Ancelotti vai manter boa parte da base da equipe. Talvez faça alguma mudança no setor ofensivo. Imagino que o Matheus Cunha possa ganhar uma oportunidade porque oferece força física e ajuda na pressão sem a bola. Independentemente da escalação, o Brasil precisa ser dominante e buscar a vitória desde o início.
Tribuna: A Seleção pode fazer algo parecido com a França, com muita movimentação no ataque?
João: Pode. O Brasil tem jogadores versáteis como Vinícius Júnior, Rafinha e Matheus Cunha, que conseguem trocar de posição durante o jogo. Isso dificulta a marcação adversária e pode aumentar o potencial ofensivo da equipe. A movimentação é uma das formas de criar superioridade e encontrar espaços.
Tribuna: O jogo contra o Haiti ganha ainda mais importância depois do empate com o Marrocos?
João: Sem dúvida. Além da questão da liderança do grupo, é uma oportunidade para consolidar uma identidade de jogo. Historicamente, a Seleção Brasileira costuma fazer ajustes durante a Copa. O mais importante agora é ganhar confiança, corrigir alguns problemas apresentados na estreia e chegar mais forte para a sequência da competição.
Sobre o programa
O “Dá Jogo” é o programa esportivo transmitido no canal do YouTube da Tribuna de Minas todas às quartas-feiras.
Tópicos: Copa do Mundo / dá jogo / seleção brasileira









