Da região: lenda do Botafogo e da Seleção, Heleno de Freitas não disputou Copa do Mundo por guerras

Nascido em São João Nepomuceno, atacante ídolo do Botafogo viu Copas de 1942 e 1946 serem canceladas e esteve ausente na de 1950 por divergências com o treinador


Por Davi Sampaio

17/06/2026 às 06h15

por jf - copa - tribuna na copaMuito antes de Pelé, Garrincha ou Zico vestirem a camisa da Seleção Brasileira, um atacante nascido na Zona da Mata mineira encantava os estádios com talento, personalidade e gols. Natural de São João Nepomuceno, Heleno de Freitas se tornou um dos maiores ídolos da história do Botafogo e um dos principais nomes do futebol brasileiro nos anos 1940. Apesar da carreira brilhante, jamais disputou uma Copa do Mundo.

A ausência não aconteceu por falta de qualidade. Pelo contrário. Heleno viveu o auge em um período marcado por um dos momentos mais turbulentos da história mundial. As Copas do Mundo de 1942 e 1946 foram canceladas em razão da Segunda Guerra Mundial, privando uma geração inteira de jogadores da principal competição do futebol.

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Heleno de Freitas poderia ter jogado três Copas (Foto: Divulgação)

Quando a bola voltou a rolar em Mundiais, em 1950, no Brasil, Heleno já não fazia parte dos planos da Seleção. O atacante acumulava desentendimentos com dirigentes e mantinha uma relação desgastada com o técnico Flávio Costa. Além disso, havia se transferido para o futebol colombiano em uma época em que a liga local não era reconhecida pela FIFA. O conjunto de fatores acabou afastando o craque da convocação para o torneio que ficaria marcado pelo Maracanazo.

Mesmo sem ter disputado uma Copa, Heleno construiu números expressivos pela Seleção Brasileira. Entre 1944 e 1948, marcou 15 gols em 18 partidas e formou um dos ataques mais talentosos da época ao lado de Tesourinha, Zizinho, Jair Rosa Pinto e Ademir de Menezes.

No Botafogo, tornou-se símbolo de uma geração. Com mais de 200 gols pelo clube carioca, era admirado pela técnica refinada, velocidade e capacidade de decisão. Fora de campo, chamava atenção pelo estilo elegante, pela formação em Direito e pela vida social agitada no Rio de Janeiro.

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Heleno tem uma estátua em São João Nepomuceno (Foto: Fellype Alberto)

Ao mesmo tempo, o atacante cultivava uma personalidade intensa. Temperamental e perfeccionista, protagonizou diversos episódios de indisciplina e conflitos com companheiros, árbitros e dirigentes. O comportamento explosivo lhe rendeu fama nacional e fez com que muitos o considerassem o primeiro “bad boy” do futebol brasileiro.

A passagem do jogador também foi marcada por um final trágico. Problemas de saúde agravados ao longo dos anos interromperam precocemente sua vida. Heleno morreu em 1959, aos 39 anos. Para muitos historiadores, ele foi o maior jogador brasileiro que nunca disputou uma Copa do Mundo.