Praia proíbe uso de guarda-sóis para quem tem 10 anos a 65 anos

Praia na Sardenha restringe guarda-sóis e gera polêmica sobre regras e segurança no turismo local.


Por Leticia Florenco

12/06/2026 às 14h55

Praia proíbe uso de guarda-sóis para quem tem 10 anos a 65 anos

Uma decisão incomum adotada na praia de Punta Molentis, localizada no município de Villasimius, no sul da ilha da Sardenha, na Itália, vem provocando forte debate entre moradores, turistas e autoridades.

A nova regra restringe o uso de guarda-sóis e estruturas de sombra apenas a um grupo específico: famílias com crianças de até 10 anos e pessoas com 65 anos ou mais.

Para todos os demais visitantes, o uso desses equipamentos está proibido.

A medida, que entra em vigor durante o período de alta temporada, foi justificada por motivos de segurança e gestão de risco ambiental, mas rapidamente se tornou alvo de críticas por seu caráter restritivo e incomum.

Uma das praias mais visitadas da Sardenha sob novas regras

A praia de Punta Molentis é conhecida por suas águas cristalinas e paisagem protegida, sendo um dos destinos mais procurados da região da Sardenha.

Segundo as autoridades locais de Villasimius, a decisão busca evitar situações de superlotação e reduzir riscos operacionais em caso de emergência, especialmente após episódios anteriores que exigiram evacuação de banhistas por mar.

O que mudou nas regras da praia

De acordo com a portaria municipal:

  • É proibido instalar guarda-sóis para pessoas entre 10 e 65 anos
  • Somente famílias com crianças pequenas e idosos podem usar estruturas de sombra
  • Também estão proibidos gazebos, tendas e qualquer outro sistema de sombreamento
  • A praia terá cobrança de entrada de cerca de 10 euros por visitante durante a temporada
  • Pessoas com deficiência e acompanhantes estão isentas da taxa

A justificativa oficial aponta para a necessidade de “manter corredores de evacuação livres” e evitar bloqueios na areia.

Segurança como argumento principal

O principal fator citado pelas autoridades foi um incêndio registrado no ano anterior, quando a grande quantidade de guarda-sóis teria dificultado a evacuação da praia.

Segundo relatos locais, dezenas de pessoas precisaram ser retiradas por barco devido à impossibilidade de acesso por terra. A ocupação desordenada da faixa de areia também teria contribuído para a propagação do risco.

Além disso, o modelo de ocupação da praia, sem presença de clubes privados organizados, favorece o uso individual de equipamentos, o que, segundo o município, acaba gerando aglomerações descontroladas.

Turismo, espaço público e o conflito das praias italianas

A Itália é conhecida por seu modelo rígido de organização costeira, especialmente em áreas turísticas.

Em diversas regiões, praias são divididas entre áreas públicas e estabelecimentos privados, com fileiras de guarda-sóis padronizados e reservas pagas.

Em destinos como a região da Roma, especialmente no litoral de Ostia, conflitos entre gestão pública e concessões privadas já levaram a fiscalizações e interdições de clubes de praia.

O caso de Punta Molentis, porém, chama atenção por seguir o caminho inverso: em vez de ampliar a organização privada, o município optou por restringir o uso individual de sombra.

Críticas e reações dos frequentadores

A decisão provocou forte reação entre turistas e moradores locais. Nas redes e fóruns municipais, os comentários variam entre ironia e indignação.

Alguns frequentadores questionam a lógica da regra, argumentando que a proteção solar deveria ser incentivada, não limitada.

Outros apontam que a medida pode aumentar o risco de queimaduras e desconforto térmico, especialmente em dias de calor extremo.

Há também críticas sobre o impacto da taxa de entrada e sobre o modelo de controle adotado em uma praia de acesso tradicionalmente livre.

Com a nova portaria em vigor, o verão na praia de Punta Molentis promete ser diferente dos anteriores. Menos sombra, mais fiscalização e um controle maior do uso da areia devem marcar a temporada.