Ex-piloto teria voado por 17 anos com documentos falsos e recebido R$ 15 milhões

Ex-piloto é acusado de usar documentos falsos e comandar mais de 900 voos sem certificação exigida


Por Yasmin Henrique

12/06/2026 às 16h35

Ex-piloto teria voado por 17 anos com documentos falsos e recebido R$ 15 milhões

O ex-piloto da Air Canada Geoffrey Wall, de 59 anos, foi acusado pelas autoridades canadenses de utilizar documentos falsificados para atuar como comandante de aeronaves comerciais por quase 17 anos. A investigação da polícia regional de Peel, em Ontário, aponta que ele teria exercido a função sem possuir uma certificação obrigatória para o cargo.

Segundo os investigadores, Wall realizou mais de 900 voos domésticos e internacionais entre 2009 e 2025. Nesse período, comandou aeronaves como Boeing 767, 777 e 787 Dreamliner, transportando dezenas de milhares de passageiros e recebendo mais de US$ 2,9 milhões em salários, cerca de R$ 15 milhões.

Acusações contra o ex-piloto

Wall ingressou na Air Canada em 1998 e tornou-se comandante em 2009. Embora possuísse licença comercial válida, as autoridades afirmam que ele não detinha a Airline Transport Pilot Licence (ATPL), certificação exigida no Canadá para comandar grandes aeronaves comerciais, e teria utilizado documentos falsificados para aparentar possuir a habilitação.

A suposta fraude só foi descoberta em 2025 durante uma verificação rotineira de documentos. O caso chamou atenção pela duração da irregularidade, que teria permanecido sem ser identificada por cerca de 16 anos. Para especialistas, a situação é incomum, já que fraudes desse tipo costumam ser detectadas em auditorias e processos de certificação.

Preso em junho de 2026 na investigação denominada “Project Icarus”, Wall também é acusado de tentar ocultar provas e responderá por fraude, uso de documentos falsificados, fornecimento de informações falsas às autoridades e obstrução de investigação. A audiência está marcada para 29 de junho.

Casos semelhantes

O caso também reabriu discussões sobre os mecanismos de validação de credenciais no setor aéreo. Entre os precedentes estão:

  • Paquistão (2020): Escândalo revelado após a queda de um avião da Pakistan International Airlines (PIA). Autoridades investigaram 262 pilotos. A companhia afastou inicialmente 150 profissionais. Ao menos 82 pilotos tinham licenças irregulares ou obtidas de forma fraudulenta.
  • Avion Express (2025): Caso envolvendo um piloto da companhia lituana. A investigação apontou que ele era qualificado apenas como copiloto. Documentos adulterados teriam sido usados para assumir a função de comandante.