Coca-Cola é acusada de prática abusiva por figurinhas exclusivas da Copa do Mundo

Idec acusa Coca-Cola e Panini de venda casada por figurinhas exclusivas da Copa do Mundo 2026.


Por Leticia Florenco

12/06/2026 às 09h05

Coca-Cola é acusada de prática abusiva por figurinhas exclusivas da Copa do Mundo

O lançamento do álbum oficial da Copa do Mundo 2026 trouxe de volta uma tradição que atravessa gerações: a corrida dos colecionadores em busca de completar cada espaço reservado aos craques do futebol mundial.

No entanto, uma promoção envolvendo a Coca-Cola e a Panini acabou gerando controvérsia e motivou denúncias aos órgãos de defesa do consumidor.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) notificou o Procon de Minas Gerais e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, alegando que as empresas estariam promovendo uma prática de venda casada ao disponibilizar figurinhas especiais apenas por meio da compra de refrigerantes da marca.

Como funciona a promoção

A ação promocional oferece 14 figurinhas exclusivas, chamadas popularmente de “Figurinhas Coca-Cola”.

Os cromos aparecem na parte traseira dos rótulos de garrafas de refrigerante de 600 ml e, em alguns estados, também em embalagens de 1,5 litro.

Embora as figurinhas não tenham um custo adicional explícito, o consumidor precisa adquirir o produto para obtê-las. É justamente esse modelo que passou a ser questionado pelo Idec.

As figurinhas ocupam uma página dupla inteira do álbum oficial produzido pela Panini, tornando-se itens extremamente desejados pelos colecionadores mais dedicados.

Os craques estampados nas figurinhas especiais

A seleção de jogadores escolhidos para integrar a campanha reúne alguns dos maiores nomes do futebol internacional. Entre eles estão:

  • Lamine Yamal, destaque da Espanha;
  • Harry Kane, capitão da Inglaterra;
  • Virgil van Dijk, referência da Holanda;
  • Gabriel Magalhães, representante brasileiro;
  • Outros atletas considerados estrelas da competição.

A presença de jogadores tão populares aumenta o interesse dos consumidores e contribui para a corrida pelos itens promocionais.

O que é venda casada?

A venda casada acontece quando a aquisição de determinado produto ou serviço fica condicionada à compra de outro item.

O Código de Defesa do Consumidor considera essa prática abusiva, justamente porque restringe a liberdade de escolha do consumidor.

Segundo o Idec, a situação observada na promoção se encaixa nesse conceito.

“O produto só é entregue mediante a compra do refrigerante”, explicou o advogado Paulo Henrique Santos Pereira, representante do instituto, ao comentar o caso.

Na avaliação da entidade, o fato de o consumidor precisar adquirir a bebida para conseguir as figurinhas especiais configura uma limitação indevida de acesso ao produto desejado.

A defesa apresentada pela Coca-Cola

A Coca-Cola rebateu as acusações e afirmou que a promoção não caracteriza venda casada.

De acordo com a empresa, as figurinhas funcionam como brindes promocionais vinculados à campanha e não são indispensáveis para completar o álbum.

A fabricante também informou que, a partir de 15 de julho, as chamadas “Figurinhas Coca-Cola” poderão ser adquiridas diretamente junto à Panini, ampliando o acesso aos colecionadores que não desejam comprar os refrigerantes.

Para a companhia, essa possibilidade elimina qualquer obrigatoriedade de aquisição da bebida para obtenção dos cromos.

Panini ainda não se pronunciou

A Panini, responsável pela produção do álbum oficial da Copa do Mundo, também foi procurada para comentar as acusações.

Até o fechamento da reportagem original, porém, a empresa não havia apresentado uma manifestação oficial sobre o caso.

O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos da editora, que tradicionalmente lidera o mercado de colecionáveis esportivos.

Colecionadores divididos

A discussão rapidamente tomou conta das redes sociais e dos grupos de troca de figurinhas.

Enquanto parte dos consumidores considera a ação apenas uma estratégia de marketing comum em grandes eventos esportivos, outros acreditam que a exigência indireta da compra de refrigerantes cria obstáculos injustos para quem deseja completar o álbum.

Entre as principais críticas estão:

  • O aumento dos gastos dos colecionadores;
  • A dificuldade para crianças conseguirem os itens;
  • O estímulo ao consumo de bebidas açucaradas;
  • A sensação de exclusividade excessiva dentro de uma coleção oficial.

Por outro lado, defensores da promoção argumentam que campanhas promocionais semelhantes existem há décadas e fazem parte da experiência envolvendo grandes marcas e eventos esportivos.

O impacto para o consumidor

Caso os órgãos responsáveis entendam que houve prática abusiva, as empresas poderão ser orientadas a modificar a mecânica da promoção ou adotar medidas que garantam acesso igualitário aos itens colecionáveis.

Independentemente do desfecho jurídico, o episódio reforça a importância de os consumidores conhecerem seus direitos e acompanharem atentamente as condições de campanhas promocionais antes de participar delas.

Agora, caberá aos órgãos competentes analisar os argumentos apresentados e decidir se a campanha respeita os princípios estabelecidos pelo Código de Defesa do Consumidor ou se precisará ser revista.

Até lá, colecionadores seguem atentos, trocando figurinhas, debatendo nas redes sociais e aguardando os próximos desdobramentos.