Árbitro da FIFA barrado de entrar nos Estados Unidos foi eleito árbitro do ano de 2025

Eleito árbitro do ano de 2025, Omar Artan foi barrado nos EUA e recebeu homenagem na Somália.


Por Leticia Florenco

11/06/2026 às 11h54

Árbitro da FIFA barrado de entrar nos Estados Unidos foi eleito árbitro do ano de 2025

O que seria o ponto mais alto da carreira de Omar Abdulkadir Artan acabou se transformando em um episódio de repercussão internacional.

Eleito árbitro do ano de 2025 pela Confederação Africana de Futebol (CAF) e selecionado pela FIFA para atuar na Copa do Mundo, o juiz somali foi impedido de entrar nos Estados Unidos e precisou retornar à Somália sem participar do torneio.

A chegada do profissional a Mogadíscio, capital somali, foi marcada por homenagens, manifestações de apoio e um forte sentimento de orgulho nacional.

Centenas de pessoas lotaram o aeroporto para recepcioná-lo, transformando o retorno em uma celebração.

Imigração negou entrada do árbitro

De acordo com informações divulgadas pelas autoridades norte-americanas, Omar Abdulkadir Artan teve sua entrada recusada após ser considerado “inadmissível devido a preocupações com a verificação de antecedentes”.

O árbitro afirmou, porém, que não recebeu explicações detalhadas sobre os motivos que levaram à decisão. Após ser barrado, ele foi encaminhado para Istambul, na Turquia, antes de embarcar de volta para a Somália.

O caso chamou atenção da imprensa esportiva internacional, sobretudo pelo fato de o profissional já possuir credenciamento oficial para integrar a equipe de arbitragem do Mundial.

Estreia histórica interrompida

Aos 34 anos, Artan viveria um momento inédito para o futebol de seu país. Ele seria o primeiro árbitro da Somália a atuar em uma edição da Copa do Mundo.

O somali integrava o grupo de 52 árbitros selecionados pela FIFA para a competição e figurava entre os sete principais representantes africanos escalados para o torneio.

A ausência do árbitro acabou frustrando torcedores e dirigentes esportivos que viam sua participação como um marco histórico para a arbitragem somali.

Reconhecimento no continente africano

Antes da polêmica envolvendo a imigração, Omar Abdulkadir Artan acumulava importantes conquistas profissionais.

Entre elas, está a eleição como árbitro do ano de 2025, prêmio concedido pela Confederação Africana de Futebol em reconhecimento ao desempenho apresentado nas principais competições do continente.

O juiz também comandou a final da Liga dos Campeões da África da temporada passada, disputada entre o Pyramids FC, do Egito, e o Mamelodi Sundowns, da África do Sul, consolidando sua reputação como um dos nomes mais respeitados da arbitragem africana.

Recepção emocionante em Mogadíscio

Ao desembarcar na Somália, Omar Abdulkadir Artan foi recebido com bandeiras, aplausos e palavras de incentivo.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram o árbitro sendo abraçado por apoiadores, enquanto celebrava ao lado da população presente no aeroporto. Em determinado momento, ele se enrolou na bandeira nacional em agradecimento à recepção.

O gesto foi interpretado como uma demonstração do carinho e do reconhecimento do povo somali diante da trajetória construída pelo profissional.

Árbitro promete voltar à Copa

Durante o reencontro com os compatriotas, Artan afirmou que ainda mantém o sonho de participar do maior torneio do futebol mundial.

— Prometo a vocês, se Deus quiser, que estarei presente na próxima edição. Quero que o público somali se conforte com isso e mantenha a confiança — declarou.

A fala foi recebida com entusiasmo pelos presentes, que responderam com aplausos e palavras de apoio.

FIFA diz não interferir em decisões migratórias

Em nota, a FIFA informou que não participa dos processos de imigração adotados pelos países-sede de suas competições.

Segundo a entidade máxima do futebol, as decisões sobre autorização de entrada são de responsabilidade exclusiva das autoridades nacionais competentes.

A posição, no entanto, reacendeu debates sobre a necessidade de mecanismos que garantam a participação de profissionais previamente aprovados e credenciados para eventos esportivos de alcance global.