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Estudo aponta diferença importante entre consumir peixe e tomar ômega-3 em cápsulas

Estudo mostra que ômega-3 em cápsulas não age da mesma forma que o peixe e pode exigir cuidados em doses altas.


Por Leticia Florenco

07/06/2026 às 14h08

Estudo aponta diferença importante entre consumir peixe e tomar ômega-3 em cápsulas

O consumo de ômega-3 é frequentemente associado à proteção da saúde cardiovascular, mas especialistas alertam que ingerir o nutriente por meio de suplementos não produz necessariamente os mesmos efeitos observados no consumo regular de peixes.

Uma recente análise científica reforça que as cápsulas de ômega-3 devem ser utilizadas com cautela, especialmente em doses elevadas e sem orientação médica.

Peixe oferece combinação completa de nutrientes

Diferentemente dos suplementos, os peixes fornecem ômega-3 acompanhado de proteínas, vitaminas, minerais e outros compostos importantes para o organismo.

Já as cápsulas concentram EPA e DHA, principais tipos da gordura, em doses isoladas que podem superar facilmente a quantidade obtida na alimentação.

Segundo especialistas, essa diferença pode influenciar a forma como o organismo absorve e utiliza o nutriente, resultando em efeitos distintos sobre a saúde.

Pesquisa acende alerta para risco cardíaco

A discussão ganhou força após a divulgação de uma meta-análise que avaliou 34 ensaios clínicos envolvendo 114.326 participantes.

O estudo identificou uma associação entre o uso de suplementos de EPA e DHA e o aumento do risco de fibrilação atrial em pessoas com alto risco cardiovascular que consumiam doses superiores a 1.500 miligramas por dia.

A fibrilação atrial é uma arritmia caracterizada por batimentos cardíacos irregulares e acelerados, condição que pode elevar o risco de complicações como AVC e insuficiência cardíaca.

Grupos que exigem maior atenção

Especialistas recomendam cuidado redobrado para pessoas que apresentam fatores de risco cardiovasculares ou histórico de alterações no ritmo cardíaco.

Entre os grupos que devem buscar avaliação médica antes de iniciar a suplementação estão:

  • Pessoas com histórico de fibrilação atrial;
  • Pacientes com doenças cardiovasculares;
  • Idosos;
  • Usuários de anticoagulantes;
  • Indivíduos que utilizam doses elevadas de ômega-3.

A recomendação é que os benefícios e os riscos sejam analisados individualmente.

Suplemento pode ser indicado em casos específicos

Apesar dos alertas, os especialistas destacam que o ômega-3 em cápsulas continua tendo papel importante em determinadas situações clínicas.

A suplementação pode ser recomendada para pacientes com triglicerídeos elevados, baixa ingestão de peixes ou outras condições identificadas durante avaliação médica.

Nesses casos, a dose deve ser definida de acordo com exames laboratoriais, histórico de saúde e objetivos do tratamento.

Alimentação continua sendo a principal recomendação

Para a maioria das pessoas, a orientação segue sendo priorizar fontes naturais de ômega-3.

Peixes como sardinha, salmão, atum e cavalinha permanecem entre as opções mais recomendadas por fornecerem o nutriente dentro de um conjunto equilibrado de componentes benéficos.

Além disso, alimentos como chia, linhaça e nozes também podem contribuir para aumentar a ingestão de gorduras saudáveis.

Especialistas alertam contra a automedicação

Com a popularização dos suplementos alimentares, cresce também o número de pessoas que utilizam ômega-3 sem acompanhamento profissional.

No entanto, os resultados das pesquisas mais recentes reforçam que o uso indiscriminado pode não trazer os benefícios esperados e, em alguns casos, representar riscos à saúde.

A recomendação dos especialistas é que qualquer suplementação seja iniciada apenas após orientação médica, especialmente para pessoas com doenças cardíacas ou que fazem uso contínuo de medicamentos.