Mais de 60 mil contribuintes de Juiz de Fora ainda não declararam o Imposto de Renda 2026

A menos de dez dias para fim do prazo, Receita Federal orienta uso da declaração pré-preenchida para evitar erros e garantir prioridade na restituição


Por Mariana Souza

21/05/2026 às 07h00

Imposto de Renda Bruno Peres Agencia Brasil 2
Quem não entregar a declaração do Imposto de Renda 2026 até 29 de maio paga multa mínima de R$ 165,74 ou 1% do imposto devido, prevalecendo o maior valor (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

Faltando menos de dez dias para o encerramento do prazo, cerca de 60 mil contribuintes de Juiz de Fora ainda não entregaram a declaração do Imposto de Renda 2026 à Receita Federal. Os dados, atualizados na segunda-feira (18), mostram que 82.584 juizforanos já declararam – menos de 58% das 143 mil entregas esperadas até o dia 29 de maio. O cenário acompanha o ritmo nacional: segundo a Receita Federal, 26,2 milhões de declarações foram recebidas até a noite de segunda, o que representa 59,7% do total esperado — com 40,3% dos contribuintes brasileiros ainda em falta com o Leão. 

Aberto desde 23 de março, o prazo vale para quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 em 2025 – valor superior ao limite de R$ 33.888 do ano anterior. Também são obrigados a declarar contribuintes com receita bruta rural acima de R$ 177.920; rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil, como aplicações financeiras e heranças; ganho de capital na venda de bens ou operações em bolsa acima de R$ 40 mil com lucro tributável; e quem possuía bens acima de R$ 800 mil em 31 de dezembro de 2025. Quem não entregar a declaração até o prazo pagará multa de R$ 165,74 ou 1% do imposto devido, prevalecendo o maior valor. 

O delegado da Receita Federal em Juiz de Fora, Marcos Adriano Amorim, afirma que o ritmo de entregas está dentro do esperado e que declarar nos últimos dias não significa, necessariamente, cair na malha fina – mas o risco é maior. “Quem deixa para a última hora, muitas vezes, não consegue obter um documento necessário ou conferir adequadamente os dados informados, então isso sim pode, caso haja algum erro, levar à malha”, explica.

Na malha, a declaração fica retida para verificação, o que suspende a restituição. Se confirmada a inconsistência, pode haver cobrança com multa e juros. Os casos mais frequentes envolvem divergência entre o que o contribuinte declara e o que já consta nos registros da Receita, informado por empregadores e instituições financeiras, além de despesas médicas sem comprovação. Dados nacionais mostram, porém, que o percentual de declarações retidas em malha vem caindo: era de 10,78% na primeira semana do prazo e recuou para 5,6% até segunda-feira.

Declaração pré-preenchida pode ser aliada na reta final

Para quem ainda não declarou, Amorim indica a declaração pré-preenchida como o caminho mais seguro na reta final. A modalidade importa automaticamente dados já disponíveis na Receita, como rendimentos do trabalho, despesas médicas, informações bancárias, criptoativos e dados de empregado doméstico, e em Juiz de Fora já responde por 60,4% das entregas realizadas.

Os resultados práticos reforçam a indicação. “Ela tem evitado a ocorrência de muitos erros, por exemplo, erros de digitação, erros quando o contribuinte esquece um pagamento que recebeu esporadicamente no ano anterior”, afirma o delegado. Ainda assim, Amorim alerta que os dados importados precisam ser revisados antes do envio, já que podem não coincidir com os documentos do contribuinte, e uma distorção não corrigida é justamente o que pode levar à malha fina.

60% dos declarantes têm restituição a receber

Uma das mudanças deste ano está no calendário de restituição: o número de lotes caiu de cinco para quatro, com expectativa de que cerca de 80% dos pagamentos sejam concluídos até junho. As datas previstas são 29 de maio, 30 de junho, 31 de julho e 28 de agosto. Em Juiz de Fora, 60,6% dos contribuintes que já declararam têm valores a restituir, o que torna a posição na fila um fator relevante.

Amorim explica que a ordem de recebimento segue uma escala de prioridades. No topo estão os idosos com 80 anos ou mais, seguidos pelos maiores de 60 anos, portadores de deficiência e contribuintes com doenças graves. Na sequência, professores cuja principal fonte de renda seja o magistério. Abaixo desse grupo, quem usou a declaração pré-preenchida e optou por receber a restituição via Pix leva vantagem sobre quem adotou apenas um dos dois recursos. Por último, os demais contribuintes são atendidos por ordem de entrega da declaração.

Em Juiz de Fora, 71,3% dos declarantes já cadastraram a chave Pix. O recurso em si não é novidade, mas em 2026 passou a funcionar como critério de prioridade na fila de restituição: quem combina a chave Pix com a declaração pré-preenchida sai na frente dos demais contribuintes sem preferência legal.

*estagiária sob supervisão da editora Fabíola Costa