‘Temos um potencial gigantesco em Juiz de Fora’: treinador e amigo pessoal de João Fonseca analisa cenário do tênis na cidade
Felipe Paiva tem uma academia de tênis há mais de dez anos no município
“Estamos na melhor fase do tênis no Brasil”: Essa é a visão de Felipe Paiva, professor de tênis, atleta sênior, amigo pessoal de João Fonseca e treinador. O tenista foi o convidado do “Dá Jogo”, programa esportivo do YouTube da Tribuna de Minas, transmitido ao vivo nessa quarta-feira (6). Paiva reforçou a importância da iniciação esportiva no tênis ser feita na infância, avaliou o cenário da modalidade em Juiz de Fora e no Brasil e comentou sobre o seu contato com o principal tenista brasileiro do momento. A entrevista completa está disponível abaixo.
Felipe destacou que o principal elemento para um bom desenvolvimento no tênis é a prática constante e a paciência, já que os resultados tendem a aparecer apenas a médio e longo prazos.
“Como o tênis é um esporte muito difícil, um esporte de muita repetição, quanto antes você desenvolver algumas habilidades, é melhor. E é importante você ter horas de quadra, é uma expressão que a gente fala como se fosse ‘hora de voo’. Você tem que estar na quadra, treinando, aprendendo, não tem jeito. É um esporte extremamente a longo prazo”, afirmou o treinador.

Evolução passa por apoio e mudança de postura
Felipe acredita que o Brasil vive seu melhor momento dentro do tênis na história baseado na quantidade de atletas, homens e mulheres, que praticam a modalidade no mais alto nível mundial. “A gente teve o Guga número 1 do mundo. Mas era só o Guga”, pontuou. Porém, o treinador acredita que o país tem um potencial ainda maior, mas para que ele seja alcançado é necessário um maior apoio do Poder Público e uma mudança de postura de treinadores e jogadores.
“Academias e os treinadores não são os problemas. O problema do Brasil é o investimento. É o governo que não incentiva tanto o esporte. Outra questão que é uma grande dificuldade é a logística. O Guto (Luís Augusto Queiroz), por exemplo. Ele mora em Brasília, mas vai treinar no Rio. Ele tem que pegar avião. Passagem de avião não é barato. Em Buenos Aires, por exemplo, onde dez dos top 100 do mundo moram, em quinze minutos um está na academia do outro, fazendo esse intensivo entre eles, porque é importante um treinar com o outro. O Brasil ainda tem um pouquinho desse ego do treinador, de não deixar o atleta ser treinado por outro treinador”, analisou.
Cenário promissor
Para Felipe, o cenário do tênis em Juiz de Fora é semelhante ao que acontece pelo Brasil. O treinador enxerga que a cidade possui um potencial gigantesco, mas a evolução esbarra na falta de apoio governamental e união dos clubes.
“O que eu vejo é até um apelo meu. Os clubes aqui de Juiz de Fora não abrem as portas com tanta facilidade como outros clubes. Acabei de voltar de Brasília. O Iate Clube, que é um dos clubes mais fantásticos que eu vi, e que o Guto treina, cede várias quadras para os meninos treinarem. O clube é o seguinte: sempre vai ter um sócio que vai achar ruim, não tem como agradar todo mundo. Mas tem que ter uma pessoa à frente do tênis, que gosta do tênis, que vê um potencial”, relatou.
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