Sequestro da Rua das Margaridas: documentário ‘12 dias’ relembra crime de alcance nacional que ocorreu em Juiz de Fora
Projeto deve ser finalizado em 2026 e promete reavivar a memória coletiva da cidade

O documentário “12 dias”, em produção em Juiz de Fora, repercute o episódio do sequestro da Rua das Margaridas, que ocorreu no Bairro Novo Horizonte, em 1990. O crime é um dos mais longos da história de Minas Gerais e marcou a história recente do município.
A produção utiliza como cenários a Biblioteca Central da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a Faculdade de Comunicação (Facom/UFJF). O documentário, que propõe uma reflexão crítica sobre direitos humanos no sistema carcerário e o papel da imprensa na cobertura policial, reúne diversos depoimentos de jornalistas que acompanharam o caso.
Um deles é Mauro Pianta, jornalista e diretor de fotografia do documentário e um dos primeiros profissionais da imprensa local a chegar à Avenida Rio Branco, onde o grupo criminoso estacionou antes de seguir para o sítio na Rua das Margaridas, e o professor da Facom Álvaro Americano, que esteve na casa onde os reféns foram mantidos.
Além de Juiz de Fora, o documentário passará por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília. A filmagem é financiada por meio da Lei Paulo Gustavo, através da Funalfa.
Memórias do crime
“12 dias” se originou de uma pesquisa extensa da jornalista Fernanda Vizian, ainda em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Grande parte do levantamento foi feita em em edições dos jornais da época, como Tribuna de Minas e Diário da Tarde, preservados no acervo da Biblioteca Central. Além do documentário, um livro também será lançado como desdobramento da pesquisa.
Juntamente com a reconstrução histórica, um dos objetivos do documentário é abordar o papel da imprensa no caso e como esse tipo de cobertura impacta a sociedade. O projeto também é um recurso para exercitar a memória coletiva e reflexões. O documentário está previsto para ser lançado em 2027, inicialmente com uma trajetória em festivais e, após esse momento, buscar exibições em canais de televisão.
Relembre o episódio que inspirou o documentário
No dia 24 de agosto de 1990, cinco detentos renderam agentes penitenciários e fizeram nove reféns na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. O grupo deixou a penitenciária em um carro-forte com quatro policiais militares – um deles foi morto durante a ação, após negociações. Os sequestradores chegaram no dia seguinte em Juiz de Fora e estacionaram na Avenida Barão do Rio Branco.
Depois, seguiram para o Bairro Grajaú e receberam armamento e veículo, próximo à Igreja Nossa Senhora do Líbano. Após isso, foram em direção à BR-040 com o coronel Edgar Soares. Em seguida, fizeram uma família de reféns em um posto de gasolina, retornando para a cidade. O grupo invadiu um sítio na Rua das Margaridas, no Bairro Novo Horizonte, e ficaram por 12 dias.
Os sequestradores tentaram fugir no décimo dia, trocando tiros com a polícia – três deles foram feridos e se renderam. No dia seguinte, dois fugitivos deixaram a casa e, no décimo segundo dia, houve a prisão de outros dois integrantes do grupo e a liberação do coronel.
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecília Itaborahy









