Revelação celebra 30 anos em Juiz de Fora: ‘Ser referência é nosso maior legado’

Em entrevista à Tribuna, Mauro Jr fala sobre identidade sonora do grupo, convivência na estrada e repertório antes do show no Soul Samba


Por Mariana Souza*

09/01/2026 às 07h00

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Grupose apresenta neste sábado às 16h no Soul Samba. (Foto: Divulgação)

Donos de hits que atravessaram o pagode dos anos 1990 e 2000, o Grupo Revelação ajudou a consolidar o “pagode de mesa” carioca no mainstream, com canções como “Tá escrito”, “Deixa acontecer” e “Coração radiante”. Surgido no subúrbio do Rio de Janeiro, o grupo construiu uma identidade marcada pela preservação do som e pela força do repertório popular – combinação que sustentou sua presença nas rodas e nos palcos ao longo de três décadas. 

Ao longo da trajetória, o Revelação emplacou discos e registros ao vivo que viraram referência no gênero, com destaque para “Ao Vivo no Olimpo” (2002) – trabalho associado à expansão nacional do grupo e a faixas que se tornaram obrigatórias no repertório do pagode. Mesmo atravessando mudanças de formação, a banda manteve a assinatura e seguiu lançando projetos e turnês, chegando à celebração de 30 anos de carreira com novos registros comemorativos. 

O grupo se apresenta neste sábado (10) no Soul Samba, em Juiz de Fora, a partir das 16h, no Privilège. A Tribuna conversou com Mauro Jr sobre os 30 anos do Revelação, os desafios de preservar a identidade sonora após mudanças internas, o momento de força do pagode e os critérios para montar um repertório que equilibre sucessos, “pedidos da rua” e novidades.

Tribuna: Celebrar três décadas de carreira não é só contar tempo, é atravessar gerações e manter relevância. Na visão de vocês, qual é a principal característica do Revelação  que faz o público permanecer tão presente e ativo ao longo desses 30 anos?

Mauro Jr: A preservação do som, sem agregar tanto arranjos e instrumentos.  Desde o CD “Ao vivo no Olimpo” entendemos que o som que propomos era diferente de todos os outros. E assim seguimos até os dias de hoje.

Ao longo do tempo, o Revelação atravessou mudanças importantes, inclusive de vocalista, e isso costuma mexer com timbre, interpretação e presença de palco. Como foi o processo interno de vocês para preservar a “assinatura Revelação” – no timbre, no repertório, nos arranjos e na dinâmica de palco – e, ao mesmo tempo, permitir que cada fase tivesse personalidade própria?

Mudamos cantores e todos os que passaram aqui eram fãs do Revelação. Já tinham a noção da responsabilidade e do trabalho a ser feito. Fizemos exatamente o mesmo de sempre, escolhendo repertórios robustos dentro da característica do grupo e não do novo cantor. Isso visando preservar a fidelidade do nosso público.

Hoje a gente vê o pagode entre os gêneros mais consumidos do país, com grande alcance em plataformas e com uma nova geração puxando tendências. Como vocês interpretam esse momento de força do pagode – o que ele representa para a categoria como um todo – e de que maneira o Revelação se encaixa nisso: como referência, como ponte entre gerações e como um grupo que ainda quer lançar coisa nova?

Vejo o momento bem promissor pro samba. Projetos grandes e levando público muito relevante, vide o Tardezinha do Thiaguinho. Ser uma referência para quem chega é o nosso maior legado. Nos manter entre eles é um desafio gigante que nos dá ainda tesão de trabalhar cada vez mais. Vamos sempre estar lançando algo novo… temos muito amor por isso.

Para um grupo durar tanto, não basta só ter hit e agenda: precisa de método, convivência e acordos internos. No dia a dia, o que é mais desafiador para vocês manterem em equilíbrio – a unidade artística (decisões de repertório, arranjos, identidade sonora) ou a unidade humana (convivência, divergências, rotina de estrada) – e que tipo de “regra” ou aprendizado vocês criaram para preservar o grupo?

A unidade humana é bem difícil. Regras e entendimentos em grupo são coisas difíceis que o Revelação superou nesses 30 anos. Vamos aprendendo com os erros e aceitando cobrança um dos outros. Isso é importante. Estando todos com o mesmo objetivo ajuda bastante.

Em um audiovisual comemorativo, sempre fica a pergunta do “o que entra e o que fica de fora”. Quais foram os critérios para montar o repertório dos 30 anos: vocês priorizaram os maiores sucessos, músicas que marcaram fases específicas, ou canções que representam a identidade do grupo mesmo sem serem as mais óbvias?

Priorizamos os sucessos e depois as que o nosso público sempre pedem em shows. Tem música que anda sozinha e tem seu espaço na rua. A rua faz muito parte do repertório do Revelação.

Se vocês tivessem que escolher uma música que traduza o Revelação – não necessariamente a maior, mas a que melhor representa a essência do grupo – qual seria e por quê? E o que essa escolha diz sobre o que vocês querem que o público sinta quando pensa no Revelação?

É muito difícil fazer esta escolha. Hoje eu diria que “Tá escrito” seria uma música que representa toda a dificuldade que superamos desde a saída do Xande. Ela serve perfeitamente no nosso quadro.

Vocês chegam a Juiz de Fora para mais um show e, geralmente, cada cidade tem uma energia diferente e um jeito próprio de cantar o repertório. O que o público pode esperar da apresentação deste sábado?

Muita alegria e a energia do Samba… vai ser incrível voltar a Juiz de Fora logo no início de 2026.

*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy